10 Comments

  1. 6

    António Campos

    Velasco
    Como me faz sentir saudade daqueles lugares que descreve do Alto Mahé, onde joguei futebol e também percorri vezes sem conta. Como me desperta o cheiro e o sabor daquele pão quente e estaladiço, da padaria do Alto Mahé com o talho ao lado e da Serrano junto à estrada do Zixaxa de onde gastávamos o pão. E da Mendonça Barreto com a Esquadra e a Foto Portuguesa onde todos os miúdos tiraram para a posteridade fotografias que em nada ficam a dever às que hoje se tiram. Da Munhuana onde fui baptizado pelo Padre Henriques e onde também comprei santinhos na casa Paroquial que ficava atrás da Igreja actual. Pois é Velasco pisámos, vezes sem conta o mesmo palco, desde a Paiva Manso ao Jardim 1º de Maio, em frente do qual andei no Liceu António Enes primitivo. Sem nunca nos conhecermos, por pertencermos a gerações diferentes. A outra razão tem a ver com o local onde os nossos pais trabalhavam, os Caminhos de Ferro que o levava a andar sempre com a casa às costas e a encontrar a cidade modificada cada vez que regressava à base. E foi numa dessas passagens pela longínqua Moatize que um dia ouvi na rádio que um Misto de LM tinha vencido a Selecção da Catalunha por uns contundentes 5 a 1. Regressando esse ano à capital para frequentar o Liceu onde tive como colega de turma o Rui Rodrigues que mais tarde rumou à Académica. Como eu me sinto orgulhoso por ter nascido numa terra de produziu dos melhores atletas que militaram no espaço português de então. E onde finalmente tive a felicidade de ver o Velasco a actuar numa partida extraordinária entre o Sneci no seu campo cimentado contra o Ferroviário. Numa disputa viril onde me ficou para sempre na memória a imagem do Velasco a atacar pelo lado direito a grande velocidade e a saltar como se calçasse sapatilhas. E dos jogos a que assisti no Malhanga sempre marcados por uma grande rivalidade e um amor extremo à camisola que vestiam. Mas para trás ficava o Torneio de Montreux em 58 e a emoção com que seguimos pela noite dentro os relatos dos jogos, em que a voz distante nos chegava aos ouvidos ondulante como a chama de um vela ao vento, deixou certamente em todos aqueles que como eu acompanhavam com grande ansiedade o desenrolar dos jogos, uma marca que ainda hoje perdura no nosso coração. E a memorável recepção que tinham à sua espera em LM desde Mavalane até onde a vista conseguia alcançar na Av de Angola. Naturalmente que espero encontrá-lo numa próxima reunião de Moçambicanos para lhe dar um abraço. E como já me estendi demasiado vou ter que terminar sem falar nos outros desportos onde produzimos também atletas de excepção. Fica para uma próxima oportunidade.
    Um abraço
    António Campos

    Reply
    1. 6.1

      Francisco Velasco

      Caro António Campos

      Só agora dei conta do seu desabafo que, apesar das nossas idades serem diferentes, expressa a nostalgia de uma vivência semelhante. Afinal, a nossa juventude palmilhou os mesmos caminhos da cidade mais desportiva de todo Portugal, sendo protagonista uns no campo e outros na bancada.

      Como deves calcular, pessoalmente guardo gratas recordações dos jogos que mencionaste e pavilhões onde jogámos partidas inéditas que entusiasmavam os amantes do hóquei em patins que religiosamente partiam para os rinques a fim de apoiar as equipas dos seus Clubes preferidos. Só de recordar já cheira a Lourenço Marques com as suas avenidas e ruas arborizadas e coloridas, que nos protegiam do sol intenso e das temperaturas elevadas que nos mantinham suados o dia inteiro.

      Enfim, todo o resto poderemos imaginar. Vai daqui um abraço e até um dia.

      Reply
  2. 5

    angelo c. o. soares

    Os anos que passaram não só foram muitos, como altamente desgastantes, mesmo traumatisantes.
    Mas algumas das recordações do Velasco, continuam bem vivas na memória de quem já fez
    3X30.e assim se manterão enquanto a chama estiver acesa.
    Andamos agora noutra onda, seguindo uma máxima que o Velasco bem conhece e praticou com exito: “quem luta pode perder,
    mas quem nâo luta perde sempre”.
    Visitando o item 66, do site espoliadosultramar, compreenderá onde queremos chegar e omo poderá ajudar..
    Felicidades e um abraço. angelo soares

    Reply
  3. 4

    F Deus

    Olá Velasco, um abraço do nando, filhio do Carlitos..
    Permite-me enviar ao snr António oliva, um apágina sobre o Mlhanga.Obrigado
    https://www.facebook.com/CDMClubeDesportivoDaMalhangalene?ref=hl

    Reply
  4. 3

    Joaquim Adriano Sá Silva

    Amigo Velasco,
    Rectifico: a casa da Rua de Nevala era do Sargento Medina e D. Germana (vizinhos da minha namorada na altura, minha companheira de sempre, de nome Milá que foi atleta do Malhanga – Patinagem Artistica com a “grande Lotte Cadenbach” (não sei se escreve assim) e basquete).
    Abração

    Reply
    1. 3.1

      Virgilo cruz barbosa

      Meu caro Quim,
      Penso que ainda te lembras de mim. Que é feito de ti? Estive boa parte da tarde a ver a resportagem sobre o Velasco (só faltou falar sobre o “nosso” Malhanga”) Pois só agora a vi! Dá-me notícas pois gostava muito de saber. Um forte abraço e espero continuarmos o diálogo!
      Virgilio (De Lourenço Marques)

      Reply
  5. 2

    Joaquim Adriano Sá Silva

    Chico (Viola!?)
    Era assim que eu te conhecia nos meios do hóquei daquele tempo. Tens uma memória de elefante!
    E ainda bem porque a história/estória dos tempos de então quer gente assim!
    De facto fiz parte da equipa do Malhanga (no meu coração sempre!) que sitas. Na balisa com o nome de “Adriano” (por semelhança ao do “Adrião”) onde fui substituir o Cardoso. Não te deves recordar de mim, na altura um miudo, mas estivemos juntos muitas vezes nos rinques de Lm e outras em casa do “velho” Germano que era meu vizinho e amigo no Bairro dos Sargentos na Rua de Nevala.
    Quanto ao teu depoimento: EXCELENTE!
    E muito obrigado por todas estas recordações!
    Um grande abraço

    Reply
  6. 1

    António Oliva

    Peço desculpa por me estar a intrometer num assunto para que não fui chamado. Atrevo-me a tanto por ter sido um dos muitos jovens (teria na altura uns 12/13 anos) que acompanharam com muita emoção toda a evolução desses 5 magníficos: Moreira na baliza, Souto na defesa e o famoso trio de ataque com o seu não menos famoso “carrossel”, constituído por Velasco, Bouçós e Adrião.
    Mas o que me traz aqui é o facto de ter visto referido que o Adrião era do Desportivo. Acontece que a imagem que tenho do Fernando Adrião é de o ver com uma camisola azul e branco e não preto e branco. Ou seja: com as cores do Malhangalene e não do Desportivo. De resto, também jogou no Malhanga um irmão dele, mais novo, mas que não lhe chegava aos calcanhares. E julgo que o pai deles chegou a ser treinador dos filhos e que teria sido um grande guarda-redes de hóquei, no Benfica.
    Só digo isto porque acho justo que também se fale do velho Malhanga pois tenho ideia de que os 3 grandes clubes de hóquei, em Lourenço Marques, eram o SNECI, o Ferroviário e o Malhangalene.
    Presto aqui a minha singela homenagem a esses 5 verdadeiros heróis que escreveram a mais bela página do hóquei nacional.

    Reply
    1. 1.1

      Francisco Velasco

      Caro António Oliva
      Tem em parte razão e em parte não. O facto indiscutível é que o Adrião começou a dar os seus primeiros passos no Desportivo de Lourenço Marques, desde Juvenis até Séniores quando disputava o lugar ao Mário Lisboa, médio, que tinha no ataque o Romão Duarte e o Eurico Meneses (Babá). Foi nesta altura que integrou a equipa do SNECI, que fez uma digressão pela Metrópole. E é nesta perspectiva que ele é considerado no artigo. Mais tarde tanto o Adrião pai e filho, rumaram para o Malhangalene, onde permaneceram, e em 1957 a equipa azul e branco era formada pelo GR (não me vem o nome), Fernando Adrião, Artur Vicente, Armando Cabral de Almeida e Tomás da Rocha Silva Santos, estes três idos do SNECI. O José Adrião veio mais tarde e é injusto compará-lo com o irmão, mas que a meu ver foi um excelente jogador. O velho Malhanga era de facto um dos 3 grandes…

      Reply
      1. 1.1.1

        António Oliva

        Prezado Francisco Velasco:
        Muito obrigado pelo esclarecimento prestado. Realmente desconhecia os primeiros passos do Fernando Adrião no Desportivo talvez porque, em 1957 e já estando ele no Malhangalene, tinha eu 11 anos.
        De qualquer forma, agradeço-lhe por se ter dado ao trabalho deste esclarecimento.
        Os meus cordiais cumprimentos e admiração.

        Reply

Se não tiver Facebook comente aqui!

© BigSlam 2016 - Todos os direitos reservados.