3 Comentários

  1. 2

    Rui Baptista

    Caro Paulo: Do teu comentário relevo a tua experiência de vida num pobre país que tem cabeças (poucas) para pensar e mãos para executar sem pensar (muitas).
    É uma sociedade que se assemelha a um corpo com cérebro, sem espinal medula, como membros atáxicos a executar funções mecanicamente, bem descritas no filme “Tempos Modernos”, de Charlie Chaplin (Charlot), em que os operários passam o dia a executar a sua função de simples robots.
    Ora, a espinal medula, de que falo, eram os alunos das antigas escolas técnicas que vinham preparados com noções teóricas para a sua vida profissional em contraste com uma sociedade em que é valorizado o trabalho mecanicista e o capital intelectual é subalternizado. Aliás, como bem descreves no teu post.
    Daí, o estarmos a preparar uma juventude escolar de “papel e caneta” que não seguindo estudos superiores (o funcionalismo público foi chão que já deu uvas…) se vê a braços, terminados estudos secundários, com a sua inaptidão para pregar um simples prego ou aparafusar um simples parafuso! Resta-lhe, a aspiração de se sentar em S. Bento, depois de um tirocínio como boys de um qualquer partido político. Disso mesmo nos dá conta a pena mordaz de Eça: “A política é a ocupação dos ociosos, a ciência dos ignorantes e a riqueza dos pobres. Reside em S. Bento”!
    Um abraço amigo com o orgulho de ter pertencido ao corpo docente de uma escola industrial (EIMA) em que uns tantos seguiram estudos nos antigos institutos industriais ou se licenciaram em escolas universitárias de Engenharia.
    Mais: de diplomados que estão bem na vida porque trabalham e estão preparados para trabalhar de fato-macaco ou em gabinetes de estudo. Criaram um “esprit de corps” a que não foi estranho a prática desportiva em pugnas não contra os alunos do então liceu Salazar ou liceu António Enes, mas com esses alunos. Na nossa Escola Industrial Mouzinho de Albuquerque de Lourenço Marques houve sempre a preocupação de o desporto ser uma escola de virtudes, jargão caído em desuso nos dias de hoje em que o desporto profissional, por vezes, assume o papel do antigo circo romano e o próprio desporto amador não conheceu, em sua plenitude, o apogeu de um cultura integral helénica: “mens sana in corpore sano”!

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  2. 1

    Nelson Barata

    Não podia estar mais de acordo, ainda por cima sendo aluno do liceu posso dizer-vos que embora tenha conhecimentos rudimentares de algumas artes e ofícios porque aprendi com o meu pai, na altura não havia “lap tops” facto que nos deu algum traquejo para a vida.
    Entendo, hoje mais do que nunca, senão tivessem dado cabo do Ensino Técnico quer Industrial quer Comercial, teríamos um Povo mais competente e mais ductil a nível de trabalho e, mesmo que não houvesse emprego aqui e tivessem que emigrar, teriam muito mais capacidades para poderem singrar na vida, ainda há necessidade de artífices de corpo inteiro, electricistas, canalizadores, torneiros, soldadores, profissões ditas menores, que pela sua competência podiam vir a usufruir de uma vida economicamente vantajosa.
    Infelizmente, o nosso voto só serviu para alimentar uma corja de políticos hábeis, que com os seus excessos, provocaram a crise em que nos envolveram.
    Saudações.
    Nelson Barata

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    1. 1.1

      Rui Baptista

      Prezado Nelson Barata: Grato pelo seu comentário que, para além do seu valor generalizado, tem para mim o grande valor de não ser um juízo em causa própria. Infelizmente, vivemos num país em que o hábito faz o monge, mesmo que esse hábito tenha a vergonha de licenciaturas à Relvas

      Num mundo preso nos liames estatísticos seria interessante saber quantos boys que estão na política têm idênticas licenciaturas de três ao pataco. Mas, mesmo assim, residiria a dúvida da sua validade e honestidade, Sobre certas estatísticas manipuladas, ocorre-me à memória o autor do livro “Como mentir com a estatística”, Darrell Huff, ao escrever: “O que é a verdade – perguntou Pôncios Pilatos. Não é a estatística… disse uma voz na multidão”.

      Independentemente de tudo isto, uma coisa é irrefutável: os princípios éticos destes alunos do ensino técnico que escreveram a comovente mensagem de agradecimento ao seu corpo docente. Prova irrefutável de um ensino que além de instrução sobre inculcar nos seus alunos princípios educativos sólidos. E isto é tanto mais de louvar porquanto vivemos uma época em que os alunos chegam a agredir fisicamente e verbalmente os seus professores com o beneplácito dos próprios pais. Saudações amistosas

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