5 Comentários

  1. 5

    Manuel Martins Terra

    Depois da Revolução de Abril, os militares no governo esqueceram-se dos portugueses ultramarinos, gente de todas as cores e credos religiosos, abandonando-os à sua sorte, o que implicou na maior ponta aérea no século XX, isto para não falarmos dos muitos que tiveram que fugir em traineiras e navios de carga. Houve os conseguiram a fuga, em camiões que transportavam na carroçaria, dezenas de famílias, fugindo para o Sudoeste Africano e chegando à África do Sul. Grande parte naturais de Angola e Moçambique e outros que tiveram que retornar ao país que já pareciam ter esquecido. À chegada a Portugal, levaram todos com o carimbo de RETORNADOS, e se alguns ainda conseguiram reunir alguns pertences dentro de um contentor de madeira (alguns depois roubados nos cais de Lisboa e Leixões) outros trouxeram apenas a roupa do corpo. Esses portugueses, passaram aqui por momentos dramáticos à procura de habitação e emprego, nem sempre apoiados por familiares e amigos que se pensavam ser. Só que a vontade férrea de muitos, conseguiu romper as adversidades, e felizmente imporem-se na sociedade como empresários de sucesso, na construção civil, hotelaria, turismo, transportes e nas mais variáveis áreas. Foram hábeis a desenrascarem-se e a procurarem outros rumos que lhes permitisse refazer o seu dia a dia e da família. Como diz o Pierre Vilbró, há males irreversíveis e esses são e sê-lo-ão para sempre. Gente que viu os seus bens nacionalizados, gente que trabalhou uma vida e que tudo perdeu sem explicação, e com os sucessivos governos de transição a assobiarem para o ar no Terreiro do Paço. Por isso ainda hoje, clamamos por justiça, porque esse é um direito que ninguém nos pode espoliar.

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  2. 4

    Mafurra

    E quem podia ter EVITADO tudo isto preferiu mandar para a morte cerca de 9000 portugueses, a maioria deles que nunca lá tinham posto os pés !
    Depois da Independência do Gana ( primeiro país da África subsariana a consegui-lo ) em 1957 sob o Lema “É melhor ser independente para
    governar sozinho, bem ou mal, do que ser governados pelos outros”.
    Só não compreendeu a mensagem do Lema quem não quis !
    Tempo não faltou !
    E quatro anos depois tinha-mos a guerra a bater-nos à porta.
    Se não fosse a teimosia e ambição do DITADOR tinha-mos evitado cerca de 9.000 mortos, fora os estropiados física e psicologicamente.
    E ainda há quem tente LAVAR as mãos dizendo que a culpa foi de A ou B ou C !
    Não há duvida, “não há pior cego que aquele que não quer ver”.

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  3. 3

    ABM

    Muito bem. Umas achegas para complementar o ramalhete:

    1, Em Outubro de 1974 o governo de Transição, já da Frelimo, passou uma lei em que os bens pessoais dos que saiam de Moçambique, por terem sido obtidos via um esquema de “exploração” ficavam sujeitos a avaliação e ao pagamento de uma taxa de 25%. Os que sairam antes não pagaram nada.

    2. Muitas coisas simplesmente não podiam ser “exportadas” e eram confiscadas;

    3. Muitos contentores simplesmente não seguiram. Ficaram nos portos e posteriormente foram roubados;

    4. À chegada a Portugal, muita gente não tinha dinheiro para levantar os contentores, que ficaram ao sol e à chuva;

    5. Muitos tiveram que vender o que tinham por tuta e meia, para poderem sobreviver;

    6. Muita gente não tinha onde pôr a tralha que trouxe, não tinham nem conseguiam casa. No caso dos meus pais, a tralha foi parar a casa dois meus avós paternos, que não acharam piada nenhuma à imposição – apesar de terem literalmente um armazém no quintal;

    6. Olhando para trás, o que veio era quase tudo pura tralha. Mas era o recheio da casa dos meus pais;

    7. Ainda tenho algumas das coisas que vieram no contentor dos meus pais. São tesouros pessoais e familiares, que hoje contam um percurso e uma história.

    ABM

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  4. 2

    Zé Carlos

    Parafraseando irónicamente W. Churchill; ‘Never so FEW owed so much to so MANY’.
    Oficialmente a nivél nacional, quando se fala de retornados, referem-se aos que foram diretamente para Portugal, cerca de 600 e tal mil.
    Na realidade, no total o número de pessoas que sairam de Angola, Moçambique e Guiné, chega perto do milhão e meio.
    Mais de 750mil, encaminharam-se para a Namibia, Rhodésia/Zimbabwe e A. do Sul, depois há dezenas de milhar que foram para o Brazil, Norte América, vários países da Europa, Hong Kong, Macau e Oceânia.
    O que é certo é sucessivos governos de Portugual nos últimos 45anos fazerem o melhor possivél para varrer p’ra baixo do tapete, os factos relacionados a esta evitável vergonha.
    Quase meio século depois, as verdadeiras relercussões e o final desta triste história ainda está por escrever.

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  5. 1

    Candido F. Neves

    Foi uma verdadeira tragédiaDeitei-me com a minha vida organizada e acordei com ela destruída como um furacão. Tinha 39 anos quando regressei a Portugal.

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