Português morto na fronteira da África do Sul com Moçambique
Aconteceu no rio Incomáti, na região da fronteira da África do Sul com o Sul de Moçambique.
O português, Gabriel Batista, era natural da Madeira, freguesia da Serra de Água, residia desde 1975 em Komatipoort, África do Sul, onde era proprietário de um hotel, e estava desaparecido há alguns dias. Ao quarto dia o seu corpo foi encontrado pela polícia sul-africana, em condições macabras.
Eu soube deste acontecimento através de um vídeo que passava nas redes sociais, que mostrava um helicóptero a elevar-se acima das copas das árvores, içando uma corda à qual um polícia se agarrava e que na parte inferior amarrava um jacaré. No dia seguinte a notícia e o vídeo eram transmitidas pelos serviços noticiosos das televisões portuguesas. Passados dois ou três dias leio o acontecimento em duas edições do jornal online Notícias ao Minuto.
Para conhecimento pormenorizado do que aconteceu, transcrevo a seguir as edições dos dias 7 e 8 de Maio último, do Notícias ao Minuto.
Começo com a edição de 7 de Maio:
“É português o empresário encontrado dentro de crocodilo na África do Sul
07/05/2026 13:02 ‧ há 1 mês por Notícias ao Minuto
País África do Sul
O crocodilo foi abatido e içado do rio para que o cadáver pudesse ser recuperado. Viria a confirmar-se que no seu interior estavam os restos mortais de Gabriel Batista.
O empresário morto na África do Sul depois de ter sido comido por um crocodilo, num Parque Natural, é português.
A informação é avançada pelo Jornal da Madeira, que identifica a vítima como tratando-se de Gabriel Batista, empresário madeirense natural da freguesia da Serra de Água.
Recorde-se que imagens de um crocodilo a ser içado de um rio tornaram-se virais esta semana. Por trás das imagens, constava a história de um homem que tinha sido dado como desaparecido depois de tentar atravessar, de carro, uma ponte inundada.
Sabe-se agora que o homem será um português que residia desde 1975 na África de Sul. Crê-se que seguia de noite para o hotel do qual era proprietário, em Komatipoort, na província sul-africana de Mpumalanga, quando foi surpreendido pela violência das águas que atingiram aquela região.
A viatura do homem foi encontrada, mas não havia sinais do empresário. Responsáveis pelo Parque Natural onde se deu o desaparecimento viriam a notar um comportamento estranho num dos repteis do espaço, que apresentava dificuldades de locomoção e não reagia à presença de humanos.
Cientes de que isso seria sinal de que este se tinha alimentado bem há pouco tempo, começaram a suspeitar de que o réptil podia ser o responsável pelo desaparecimento do empresário.
Assim, com o intuito de recuperar o corpo, uma equipa de resgate decidiu retirar o réptil do local. Segundo detalhava a Fox5, a operação envolveu um helicóptero e um militar, o capitão Johan ‘Pottie’ Potgiete.
“Numa operação extremamente perigosa e complexa ao longo do rio Komati, o capitão Potgieter foi içado de um helicóptero da SANPARKS para um rio infestado de crocodilos, onde, com grande coragem, imobilizou um crocodilo com uma corda, em condições extremamente perigosas”, reportou a polícia, salientando ainda que a “disposição do Capitão Potgieter para arriscar a própria vida, indo muito além do cumprimento do dever, reflete o seu compromisso inabalável”.
Note-se que antes de ser transportado o animal foi eutanasiado, para que esta operação fosse possível de executar.
Notícias ao Minuto | 09:21 – 05/05/2026”
Agora, passo a transcrever excertos da edição de 08/05/2026:
“Português (e um anel) entre “seis” comidos por crocodilo. Tudo sobre o caso
Um empresário português de 59 anos a viver na África do Sul desapareceu a 27 de abril quando tentava atravessar um rio. Devido à altura das águas, o homem acabou por desaparecer, sabendo-se agora que um crocodilo também é, em parte, responsável pela tragédia. O que se passou?
08/05/2026 08:44 ‧ há 1 mês por Ana Teresa Banha, Lusa
País África do Sul
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Mas, afinal, como tudo começou?
A imprensa internacional começou a dar conta de que imagens da remoção do corpo de um crocodilo que estava no rio Komati, na África do Sul, estavam a circular nas redes sociais.
Um dos vídeos captados mostrava o momento em que o corpo do animal, com cerca de 500 kg e quase cinco metros de comprimento é retirado com a ajuda de um militar, sendo ambos transportados com um helicóptero.
Apesar de ninguém estar à espera de tudo o que seria encontrado no interior do animal, a desconfiança de que este poderia ser, pelo menos em parte, culpado pelo desaparecimento já estava patente – é que, durante as buscas, que duraram cerca de uma semana, o animal chamou a atenção de quem já fazia buscas pelo empresário, dado como desaparecido a 27 de abril.
As buscas: Do jipe ao crocodilo de barriga inchada
O empresário, de 59 anos, foi dado como desaparecido depois de não aparecer no hotel de que era proprietário na província em Mepumalanga. Viajava de noite e terá sido ao passar uma ponte mais baixa, submersa, que enfrentou dificuldades, com a força do rio a impedi-lo de atravessar a zona. Com a força das águas, o homem terá acabado por ser arrastado pela corrente para uma zona onde havia mais crocodilos.
Após o desaparecimento, a zona em questão começou a ser revistada, logo no dia seguinte. O carro em que Gabriel Batista seguia foi encontrado e, durante as buscas, os investigadores aperceberam-se de que um dos répteis presentes no local apresentava dificuldades ao mover-se, tinha a barriga inchada e não reagia à presença dos humanos. Este animal estava a cerca de 60 metros de onde o carro foi encontrado.
Cientes de que isso seria sinal de que este se tinha alimentado bem há pouco tempo, começaram a suspeitar de que o réptil podia ser o responsável pelo desaparecimento do empresário.
O animal esteve sob observação e dados os indícios, as autoridades acabaram por decidir pela eutanásia e análise do interior do animal.
“Numa operação extremamente perigosa e complexa ao longo do rio Komati, o capitão Potgieter foi içado de um helicóptero da SANPARKS para um rio infestado de crocodilos, onde, com grande coragem, imobilizou um crocodilo com uma corda, em condições extremamente perigosas”, reportou a polícia sul-africana, salientando ainda que a “disposição do Capitão Potgieter para arriscar a própria vida, indo muito além do cumprimento do dever, reflete o seu compromisso inabalável”.
O animal foi depois levado para o Parque Nacional Kruger, onde se verificou que não só o animal era responsável, em parte, pelo desaparecimento deste homem, como também se descobriu mais.
Do anel ao “conjunto de seis pessoas”: A confirmação
Após o animal ser analisado e os restos mortais retirados, mais imagens, que o Notícias ao Minuto optou por não partilhar, foram partilhadas nas redes sociais. Uma delas mostra um anel que terá ajudado na identificação ‘imediata’, tendo depois a identificação da vítima sido confirmada através de análises de ADN.
Já na quinta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) confirmou à Lusa que os restos mortais encontrados dentro do animal eram do empresário português.
“As primeiras perícias forenses apontam para a identificação de ADN do nacional português. As circunstâncias concretas na origem da fatídica ocorrência continuam por esclarecer”, indicou o MNE, salvaguardando que o Governo português está a acompanhar o caso.

A polícia sul-africana explicou, no entanto, que já na altura das buscas, e com recurso a drones, teve “basicamente 100% de certeza que tinha comido o homem” procurado.
“Quando fizemos a autópsia ao crocodilo, encontrámos cerca de seis conjuntos [de restos] de diferentes pessoas. E os chinelos que as pessoas usavam também estavam dentro do estômago do crocodilo”, explicou Potgieter.
Dentro do animal foi também encontrado um anel com o nome “Gabriel Batista”.
A família do empresário português desaparecido esteve presente durante toda a busca, noticiou o meio sul-africano.
Este é o segundo incidente deste tipo relatado no rio Komati em quase seis meses. Em dezembro do ano passado, dois soldados foram arrastados ao tentar atravessar a mesma ponte, recordou.
Lusa | 18:26 – 07/05/2026”
Fim das transcrições.
Na selva, reino das feras, dos animais selvagens e predadores, reina a lei da sobrevivência e dos mais fortes.
Eu tomaria esta natureza animal para parábola do mundo actual dos humanos, onde prevalece o poder das armas, do dinheiro e das ditaduras, a favor de alguns, também estes predadores.
Na selva, os animais caçam e matam para sobreviver. Os homens matam ou mandam matar para quê?
Pierre Vilbró – Julho 2026



5 Comentários
Antonio Soeiro
Muito lamentável!!! Que Deus o tenha no eterno descanso. Condolências a toda a família.
Nino ughetto
Tenho pena dele e condulencias à família.Sim eu também vi jovens nativas (pretas) em Marraquene serem arrastadas por… certamente crocos, pois desapareceram logo debaixo do rio.. E em Salamanca também os nativos que lavavam a roupa , muitas vezes eram surpreendidas e devoradas é isso a Africa.. cada dia na selva é uma sorte estar vivo Vivi muitos episodios em Moç .. tudo isso faz parte da historia da minha vida tàoo movimentada, que nunca poderei contar
Manuela Foley
Que horror!
Eu vi o que os crocodilos fizeram em Tete, em 1971, ao piloto e ao avião que caiu no rio. Tenho, inclusivamente, fotos, tiradas pelo meu primo, igualmente piloto, abatido 20 dias depois em Furancungo.
2luisbatalau@gmail.com
ESTARIA FARTO DE FAZER ESTE TRAJECTO E ESTA TRAVESSIA. DESTA VEZ CORREU MAL. CONDOLÊNCIAS Á FAMÍLIA
BigSlam
Na selva, reino das feras, dos animais selvagens e dos predadores, impera a lei da sobrevivência e do mais forte. Infelizmente, também entre os homens, em tempos conturbados, essa mesma lei parece, por vezes, sobrepor-se aos valores da humanidade, deixando um rasto de violência, sofrimento e vidas interrompidas.
Parabéns a Pierre Vilbró por mais esta narrativa envolvente.