“UMA DATA NA HISTÓRIA” – 24 de Julho de 1875… Dia da Cidade de Lourenço Marques
Lourenço Marques foi elevada à categoria de cidade em 10 de novembro de 1887. Contudo, a sentença arbitral proferida pelo marechal Mac Mahon, em 24 de julho de 1875, constituiu um marco decisivo na sua história, conduzindo à proclamação da povoação como vila, por decreto de 9 de dezembro de 1876, assinado por El-Rei D. Luís I.
Poucos meses depois, a 7 de março de 1877, chegava a Expedição das Obras Públicas, dando início a uma nova etapa de crescimento, modernização e desenvolvimento urbano da então vila.
A importância histórica da decisão de Mac Mahon levou a que o dia 24 de julho fosse consagrado como o Dia da Cidade de Lourenço Marques.
Transcrevo, com a devida vénia, um excerto do livro de Alfredo Pereira de Lima “Introdução à História de Moçambique”:
“Um dos mais vivos ataques á nossa dominação na baía e sobretudo nos territórios a sul da mesma foi o sonhado e levado a efeito pelo audacioso capitão Owen em 1822-1823, depois de se apresentar em Lourenço Marques muito recomendado pelo nosso Ministro do Ultramar e Encarregado dos Negócios de Portugal em Londres , sob o pretexto de que vinha numa missão cientifica.
A Inglaterra numa visão do futuro, desejava estender a sua Província do Natal até Lourenço Marques. Deste modo, enviado o capitão Owen com falsas intenções, este internou-se a sul pelas terras do régulo Tembe e Maputo, falsificando tratados com estes régulos pelos quais cediam á Inglaterra as regiões sob o seu domínio. Mais tarde uma magistral memória em réplica aos argumentos ingleses, apresentada à arbitragem do Presidente da Republica Francesa Mac-Mahon lhos aniquilou e deitou por terra.
O procedimento do capitão Owen mereceu o nosso protesto mas a Inglaterra não mudava a sua atitude. Assim em 1861, em conformidade com o pseudo tratado de Owen e para lhe dar inteira execução, desembarcou em Lourenço Marques um oficial, do navio de guerra “Narcisus”, notificando ao governador que o comandante deste navio britânico ia tomar conta da Ilha da Inhaca que incorporaria na colónia do Natal!! Oito anos depois a corveta inglesa “Pontevel” recebeu ordem para arvorar a sua bandeira na ilha, sendo Duprat o transmissor desta resolução britânica.
Poucos soldados portugueses foram precisos para seis meses depois deste acto abusivo arrearem a bandeira estrangeira e ali içarem a portuguesa.
Não nos convinha no entanto esta situação e luta permanente, e conscientes dos nossos incontestáveis direitos, levamos o assunto para a arbitragem sendo para ela escolhida a França na pessoa do seu Presidente Marechal de Mac Mahon, Duque de Magenta,

Mac-Mahon
que em 24 de Julho de 1875, inspirado na mais sã justiça e razão, proferiu a sua sentença favorável, dando como “provados e estabelecidos” os nossos direitos”.
Como reconhecimento pela decisão arbitral de 24 de julho de 1875, foi atribuído, em Lourenço Marques, o nome de Praça Mac-Mahon ao espaço apresentado na fotografia. Ao fundo observa-se o edifício da Estação dos Caminhos de Ferro de Moçambique (C.F.M.) e, ao centro, o monumento erguido em homenagem aos combatentes europeus e africanos da Grande Guerra.

Praça Mac Mahon

Monumento aos mortos na Grande Guerra, do arquiteto Veloso Reis Camelo e do escultor Ruy RG.

Paragem de autocarros “machibombos” na Praça Mac Mahon em 1969.
Não deixe de ver o vídeo seguinte: Lourenço Marques “A cidade feitiço”.
Lourenço Marques, “a cidade do feitiço”, cresceu junto à Baía do Espírito Santo e afirmou-se como uma das mais belas e cosmopolitas cidades de África. Marcada pela sua estação ferroviária, largas avenidas, jardins, cafés, praias e pela diversidade das suas gentes, tornou-se um importante centro económico, cultural e portuário.
O seu ambiente tropical, a arquitetura singular e a convivência de diferentes culturas deram-lhe um encanto especial, eternizado na expressão “cidade do feitiço”. Hoje chamada Maputo, continua viva na memória de todos aqueles que por lá passaram e ficaram para sempre ligados à sua história, às suas paisagens e às suas saudades.
Fonte: Arquivo do BigSlam



14 Comentários
Octavio Manuel Gerardo Da Silva
Lourenço Marques – A Cidade do Feitiço.
Houve um tempo em que Lourenço Marques era considerada, por muitos, a mais bela cidade de África. Foi profundamente amada pelos sul-africanos, pelos rodesianos e por todos aqueles que se deixaram conquistar pelas suas largas avenidas e por uma vida noturna vibrante, para os estrangeiros, que parecia nunca adormecer.
Os seus restaurantes, pastelarias, cafés e hotéis de classe mundial eram palco de encontros inesquecíveis. O murmúrio das conversas misturava-se com a suave brisa do Oceano Índico, enquanto a hospitalidade do seu povo fazia qualquer visitante sentir-se em casa. Quem ali viveu ou passou dificilmente esqueceu a magia daquela cidade.
Lourenço Marques era um sonho vivido de olhos abertos. Era uma cidade onde a modernidade caminhava lado a lado. Com a beleza natural, onde o nascer do sol sobre a baía prometia um futuro cheio de esperança e cada pôr do sol parecia o céu com as cores da gratidão.
Hoje, ao olhar para trás, permanecem as memórias de uma era dourada. Cada avenida, cada edifício e cada esquina parecem ainda sussurrar histórias de uma cidade que ficou gravada para sempre no coração daqueles que a conheceram. Foi, sem dúvida, uma verdadeira Pérola do Índico.
Muitos chamavam-lhe “A Cidade do Feitiço e do Feiticeiro.” A expressão era repetida por uns como elogio ao encanto irresistível da cidade e por outros como uma curiosidade popular. Mas, para mim, esse “feiticeiro” ganhou um significado diferente com o passar dos anos.
Hoje compreendo que os maiores perigos nem sempre chegam de forma ruidosa. Muitas vezes entram silenciosamente nas nossas vidas, disfarçados de promessas, de divisões, de ideologias, de ambições ou da simples indiferença. Enquanto sonhávamos alto, construíamos famílias, trabalhávamos e acreditávamos que o amanhã seria sempre melhor, deixávamos de prestar atenção aos pequenos sinais. Não encontramos tempo para ouvir os nossos irmãos para dialogar mais profundamente ou para proteger aquilo que dávamos como garantido. E, enquanto isso, o “feiticeiro” nunca deixou de fazer o seu trabalho.
Os paraísos não desapareceram de um dia para o outro. Desfazem-se lentamente, quando deixamos de cultivar os valores que lhes deram vida: a liberdade, o respeito, a responsabilidade, a união e o amor pela nossa terra e pelo próximo.
Hoje, Lourenço Marques já pertence à história. A cidade mudou de nome, as gerações mudaram, e o tempo seguiu o seu curso. Mas ninguém poderá apagar as recordações daqueles dias luminosos, nem o sentimento profundo de quem ali encontrou felicidade.
As cidades transformam-se. Os impérios desaparecem. As fronteiras mudam. Mas as lições permanecem para quem as quiser aprender.
E talvez a maior de todas seja esta: não basta construir um paraíso; é preciso cuidar dele todos os dias. Porque aquilo que não protegemos acaba, inevitavelmente, por se perder.
Lourenço Marques viverá para sempre na memória daqueles que a amaram; não apenas como uma cidade, mas como um símbolo de uma época em que parecia possível sonhar sem limites.
Nelson Barata
Após a descrição histórica da origem do meu berço de nascimento, verifica-se que até para que fosse nossa terra, houve dificuldades e originou uma decisão histórica.
Contudo, aquilo que me apraz registar, é a simples e arejada concepção arquitetónica e paisagista da minha cidade.
Não há nada que nos possa enganar, entre montanhas de árvores de vários tipos na sua maioria, acácias e jacarandás, montadas em passeios cimentados, relativamente largos, onde os putos como eu, jogavam futebol de buracos, montavam-se aros de barril com cestas de cebola, para praticarmos o desporto nº1 de Moçambique, existiam grandes jardins bem cuidados, com vivendas também bastante arborizadas, a modernidade, trouxe-nos a construção em altura.
Os pequenos arranha céus que surgiram na baixa e nas avenidas que longitudinalmente atravessavam a parte central da cidade, concebidos de forma a não complicarem o estacionamento, a maior parte deles eram obrigados a possuir estacionamento subterrâneo, os quarteirões eram quarteirões eram polígonos perfeitos e por isso mesmo, quem queria ir para a baixa descia e quem queria vir para a alta subia, nada mais elementarmente simples.
Há outra coisa que estranhamente vim a constatar chamam a Pretória a cidade dos jacarandás mas á data em que saí de LM penso que esse epiteto seria nosso. Era a joia da Africa Oriental.
Abraço e saúde para todos vós.
Manuel Martins Terra
Fico com a sensação de que todas as palavras são escassas para classificar a beleza e o fascínio da então cidade de Lourenço Marques. Todos nós guardamos gratas recordações daquela terra encantadora, com enorme carinho, por gerações que viveram a leveza da juventude num cenário paradisíaco. Hoje somos apenas testemunhos de um tempo que já não existe, sabendo que os lugares mudaram de nomes, os ritmos da cidade são outros e para nós ficará para sempre a dor da ausência e o silêncio do tempo que não volta. Adeus ó cidade, que continuará a existir em quem nela viveu. Parabéns pelos 151 anos, que acabaste de celebrar.
nino ughetto
Parabens falecido Lourenço Marqques terra da minha vida .Nào vou repetir, pois o que eu queria dizer esta escrito Por Samuel Carvalho O que poço dizer à mais é qque vivi no Paraiso Mas começo a acreditar qque foi so um sonho
Antonio Soeiro
Parabéns a Lourenço Marques a cidade mais bela em toda a África!
Armindo Matias
Não foi preciso muito tempo para ficar encantado com essa cidade. Bastaram dois anos. Já com emprego assegurado quis o destino que eu tivesse de regressar à Metrópole. Entretanto deu-se o 25 de Abril e assim me livrei à situação de Retornado.
Mas dou comigo a pensar como o destino dessa maravilhosa cidade poderia ter sido diferente, com benefício legítimo para aqueles que a construíram que lá nasceram e que lá viveram…
O tsunami das independências acabou por atingir todo o continente africano provocando o atraso civilizacional que todos conhecemos… E compreendo a dor insuportável daqueles lá deixaram tudo, não só os bens materiais mas a própria alma.
A esses costumo recomendar que se foquem no privilégio de terem vivido num paraíso, aqui na terra. Saudações para todos.
João Costa
Muitos parabéns á cidade das acácias que fez de mim homem.
Carlos Guilherme
Meu berço, minha Cidade Feitiço.
Vivi no Prédio Funchal, actual Hotel Rovuma, até casar, nonº 1101. Também aí vivia o nosso Quim Neves. O pai dele era da Força Aérea e nesse prédio, mesmo ao lado da Catedral funcionava a messe de Oiciais da FAP. Fui feliz aí assim como noutros pontos em que morei parque, em Lourenço Marques podíamos ser felizes em qualquer ponto da cidade
2luisbatalau@gmail.com
PARABÉNS LOURENÇO MARQUES, CIDADE LINDA, ONDE VIVI E ME LICENCIEI. NASCI EM NAMPULA, SOU MACUA MAS SEMPRE AMEI A CAPITAL. KANIMAMBO
Carlos Pacheco
Hoje também me sinto de parabéns…
Kanimambo!
Rui Conde
A minha cidade também. Onde cresci e me fiz homem!! Saudades!
Luis Russell Vieira
Parabéns, querida Lourenço Marques. Durante algum tempo anda terás alguém para te dar os parabéns, inteiramente merecidos e com verdadeiro amor.
Samuel Carvalho
Lourenço Marques foi a cidade que me viu crescer e onde vivi alguns dos anos mais felizes da minha vida. Guardo memórias inesquecíveis das amizades da malta do bairro da J. Serrão, dos tempos do basquetebol no CFM, dos domingos passados na praia a jogar futebol ou voleibol e das festas de sábado à noite. São afetos, momentos e saudades que o tempo jamais conseguirá apagar.
Parabéns pelos 151 anos à nossa eterna “cidade do feitiço”!
BigSlam
Parabéns a Lourenço Marques pelos 151 anos que hoje celebra!
Lourenço Marques foi verdadeiramente a cidade do feitiço: bela, cosmopolita, acolhedora e cheia de vida. A sua baía, as largas avenidas, os jardins, os cafés e a diversidade das suas gentes deram-lhe um encanto único, que permanece vivo na memória e na saudade de todos os que tiveram o privilégio de a conhecer.