
QUANTAS VEZES
Quantas vezes,
pedi a Deus,
que através dos olhos meus,
eu visse qual o pecado….
De tanto ódio doente,
onde morre tanta gente,
de tanto pranto regado….
Teu pranto será meu pranto,
grito de macumba, quebranto,
racismo, soberba, ganância…
Lágrimas correndo quentes,
no rosto de tuas gentes,
amordaçados, sem esperança…
Não é o branco, nem preto,
nem sequer o que tem direito,
amando o que se tem…
Terra onde cresci feliz,
sentir-te hoje infeliz,
como terra de ninguém….
África farta de dor, chacina,
em cada monte ou colina,
grita de revolta e emoção…
Faz ouvir a tua voz,
teus filhos não estarão sós,
com Deus no coração….
Faz-te ouvir África presente,
em cada rio ou nascente,
terra de mato minha….
Talvez um dia quem sabe,
Vença só a tua verdade,
vendo-te como em menina…
Isabel Lisboa



12 Comentários
Orlando Valente
O ESVOACAR DOS ABUTRES, sobre na terra que me viu nascer e que ISABEL LISBOA no seu poema, bem ilustra o sentimento de dor da situacao em que o Pais se encontra. O povo sofredor, continua amargurando e aos poucos sendo destrocado ao longo de varias dezenas de anos, sem contudo perder a FE que ainda permanece silenciosamente no coracao. Contudo os ABUTRES vao destruindo e devorando o pouco que resta…mas o dia ira chegar que covardemente levantarao voo para bem longe e nunca mais regressarao.
Kanimambo Isabel Lisboa pelo seu poema que bem ilustra o sentir de um povo…muiito obrigado
amaralsoeiro@gmail.com
Um belo e muito elucidativo poema!!!
Iolanda Santos
Lindooo, quanta verdade e sentimento, neste poema.
Antônio ughetto
Carradas de razão.. Por experiência minha sei que é isso mesmo que todos sentimos. Tudo verdade mesmo que por caminhos diferentes , Muito bem
Gomes
Lindo poema, parabéns
Manuel Martins Terra
Um belo poema de Isabel Lisboa, onde a autora destaca a dor que atinge o continente africano, reflexo da exploração e corrupção, sinais da injustiça
da riqueza., As suas palavras traduzem a revolta e a denúncia , mas também a esperança de novos tempos de forma a devolver a dignidade e a justiça aos seus povos.
nino ughetto
Bonito poema Isabel, parabens…Eu do meu lado… nem sei de que lado virar, pois tenho uma… ” destestaçao” dos culpados de tudo que (perdi) perdemos.. A guerra é. sem fim em Africa, ,nào so em Moçambique como em Angola e em todo o continente africano.. Quem com a ganancia do poder e das grandes fortunas possui esse continente faz com que guerras, fome, pobresa,e desordem total divida toda populaçào para melhor “”roubar”” explorar todo pays..E como sempre, essa independencia forçada ou desejada por um pequeno grupo foi a assinatura de pena de morte para o Povo moçambicano.
Paulo José Freitas Craveiro
Bravo, Isabel Lisboa.
Álvaro Pelicano
Lindo poema.
Abraços
Delfim
Muito bonito.sentido.kanimambo
2luisbatalau@gmail.com
LINDO POEMA. KANIMAMBO
BigSlam
Um poema intenso e sentido, onde Isabel Lisboa transforma a dor de África num grito de consciência e esperança. Sem apontar o dedo à cor da pele, lembra-nos que as verdadeiras feridas nascem do ódio, da ganância, do racismo e da violência que continuam a roubar vidas e sonhos.
Mas, por entre o sofrimento, permanece uma mensagem de fé: a esperança de que África volte a erguer a sua voz, reencontre a paz e recupere a beleza e a alegria que marcaram a infância de tantos dos seus filhos.
Um poema que convida à reflexão e nos recorda que o amor, a justiça e a dignidade humana devem estar sempre acima de qualquer divisão.