
QUANTAS VEZES
Quantas vezes,
pedi a Deus,
que através dos olhos meus,
eu visse qual o pecado….
De tanto ódio doente,
onde morre tanta gente,
de tanto pranto regado….
Teu pranto será meu pranto,
grito de macumba, quebranto,
racismo, soberba, ganância…
Lágrimas correndo quentes,
no rosto de tuas gentes,
amordaçados, sem esperança…
Não é o branco, nem preto,
nem sequer o que tem direito,
amando o que se tem…
Terra onde cresci feliz,
sentir-te hoje infeliz,
como terra de ninguém….
África farta de dor, chacina,
em cada monte ou colina,
grita de revolta e emoção…
Faz ouvir a tua voz,
teus filhos não estarão sós,
com Deus no coração….
Faz-te ouvir África presente,
em cada rio ou nascente,
terra de mato minha….
Talvez um dia quem sabe,
Vença só a tua verdade,
vendo-te como em menina…
Isabel Lisboa



2 Comentários
2luisbatalau@gmail.com
LINDO POEMA. KANIMAMBO
BigSlam
Um poema intenso e sentido, onde Isabel Lisboa transforma a dor de África num grito de consciência e esperança. Sem apontar o dedo à cor da pele, lembra-nos que as verdadeiras feridas nascem do ódio, da ganância, do racismo e da violência que continuam a roubar vidas e sonhos.
Mas, por entre o sofrimento, permanece uma mensagem de fé: a esperança de que África volte a erguer a sua voz, reencontre a paz e recupere a beleza e a alegria que marcaram a infância de tantos dos seus filhos.
Um poema que convida à reflexão e nos recorda que o amor, a justiça e a dignidade humana devem estar sempre acima de qualquer divisão.