BigSlam no Sul da América (10) – Cataratas de Iguaçu (lado Argentina) e El Ateneo Grand Splendid
9 de março de 2025 – Domingo
Acordar no Iguazú Grand Hotel & Spa (Argentina) é como abrir os olhos num pequeno paraíso escondido na selva.
Ainda antes de puxar as cortinas, ouve-se o chilrear dos pássaros e o sussurrar suave das folhas ao vento, um lembrete de que estamos em plena natureza.
Ao abrir a janela sentimos o ar quente, mas fresco o suficiente para saber que o dia ainda está a começar devagar.
O pequeno-almoço espera-nos com frutas frescas, sumos naturais, pão artesanal e especialidades locais – tudo servido com a simpatia calorosa dos argentinos e aquele sorriso que faz logo o dia começar melhor.

Após o pequeno-almoço no hotel, seguimos mais uma vez de autocarro,
desta vez rumo ao Parque Nacional de Iguazu – Argentina.


Ao longo desta jornada pelo Sul da América, tivemos a companhia sempre agradável do simpático casal do Porto, Margarida e Vitorino, que nos acompanhou desde a saída do aeroporto de Lisboa. Partilharam connosco esta aventura do início ao fim, com boa disposição, histórias e muitos momentos bem passados.

A imagem seguinte mostra um poste sinalizador de distâncias internacionais. Indica as direções e distâncias até alguns dos parques nacionais mais famosos do mundo, simbolizando a conexão global entre áreas naturais protegidas. Convida os visitantes a refletir sobre a riqueza e diversidade dos ecossistemas do planeta e o papel crucial da conservação ambiental. É um ótimo ponto de inspiração para futuras viagens!
Depois de ouvirmos atentamente as explicações da nossa simpática guia, partimos com entusiasmo à descoberta de uma das Sete Maravilhas Naturais do Mundo: o Parque Nacional Iguazú. Um santuário de natureza exuberante, onde cada passo nos aproximava do estrondo e da imponência das lendárias cataratas.

Aqui foi o ponto de partida desta bela aventura. Um início cheio de expectativas, que acabaria por nos levar a viver momentos simplesmente inesquecíveis.
Seguimos pelo Sendero Verde (Trilha Verde), uma caminhada curta e tranquila, perfeita para quem quer se conectar com a natureza antes de visitar as grandes quedas.
Com cerca de 600 metros de extensão, o caminho é plano, acessível e sombreado por uma densa vegetação subtropical.
Ao longo do percurso, os sons da mata, como o canto dos pássaros e o farfalhar das folhas, acompanham cada passo.
A trilha conduz-nos da entrada do parque até à Estação Cataratas do Trem Ecológico, também conhecido como Trem da Selva, movido a gás para minimizar o impacto ambiental. Este é o ponto intermédio entre a Estação Central e a Estação Garganta do Diabo, e daqui parte-se para os circuitos Superior e Inferior, bem como para a Trilha Verde, caminhos que revelam, passo a passo, a imponência das Cataratas.
Chegámos, entretanto, à Estação Cataratas,
enquanto aguardávamos a chegada do trem, ainda houve tempo para registar o momento com algumas fotos, acompanhados pelas duas simpáticas guias locais que nos conduziram nesta jornada com profissionalismo e boa disposição.
A viagem até à Estação da Garganta do Diabo é cerca de 20 minutos, para os 3.700 metros de percurso.

Após esta pequena viagem entre trilhos cercados pela selva exuberante, embalados pelos sons das aves tropicais e pelo rugido distante das quedas, sentíamos que algo grandioso nos esperava.

Foto de Blog Meu Destino
Ao chegarmos à Estação Garganta do Diabo, iniciámos o percurso a pé, até à mais impressionante das quedas do Parque Nacional Iguazú.
O trilho da Garganta do Diabo começa logo após a estação com o mesmo nome, numa longa passarela metálica que se estende por cerca de 1.100 metros (ida e volta) sobre o rio Iguaçu.
Atravessá-la é como caminhar sobre um espelho de água, rodeados por vegetação densa e sons da selva. A cada passo, éramos acompanhados por uma sinfonia natural: o chilrear das aves tropicais, o vento entre as folhas e, ao fundo, o rugido crescente das quedas.
Foi nesse ambiente mágico que avistámos uma urraca-de-topete, pousada num corrimão de madeira, como que posando para a fotografia. Com as suas penas negras e brancas, o olhar penetrante e o topete inconfundível, parecia ela própria uma guardiã do trilho.
Ao atravessarmos a ponte sobre um dos afluentes do rio, o cenário voltou a surpreender. Nas águas calmas, avistámos um grande surubim, peixe típico da região, deslizando lentamente junto ao fundo arenoso.
E, não muito longe dali, vários cágados aproveitavam o sol, empoleirados na estrutura da ponte, imóveis e atentos à nossa passagem.
A paisagem foi-se abrindo, a névoa tornando-se mais densa, e o som das águas mais forte. E então, como se surgisse do nada, a imensa Garganta do Diabo revelou-se diante de nós.
A Garganta do Diabo é, sem dúvida, a mais impressionante das quedas das Cataratas do Iguaçu. Com a sua forma em ‘U’ e cerca de 80 metros de altura, está localizada exatamente na fronteira entre o Brasil e a Argentina. É ali que o rio se precipita com uma força avassaladora, criando um espetáculo de som, neblina e vertigem que hipnotiza todos os que ali chegam.
Segundo nos contou a nossa guia, naquele dia a queda debitava cerca de 8 milhões de litros por segundo, um número difícil de imaginar, mas perfeitamente credível quando se sente a vibração no passadiço, o estrondo no peito e a névoa no rosto.
Depois da experiência do dia anterior no lado brasileiro das cataratas, desta vez fui mais esperto, vesti logo o fato de banho de manhã. Com o calor a apertar e a certeza de que ia apanhar uma bela molha, mais valia ir preparado! E não falhou: bastaram os primeiros passos junto às quedas para levar um ‘duche natural’ digno de spa. Entre salpicos, gargalhadas e aquela neblina constante, parecia que as cataratas faziam questão de nos dar as boas-vindas à moda delas!

Não deixes de ver o vídeo a seguir e, se possível, vê-o em ecrã inteiro. Vale mesmo a pena sentir a força e a beleza das cataratas em toda a sua dimensão!
Um momento inesquecível, em que a natureza se impõe em toda a sua grandiosidade.
Regressámos à Estação da Garganta do Diabo e embarcámos novamente no trem ecológico, desta vez com destino à Estação Cataratas.
Foi ali que descemos para explorar os dois principais percursos do parque: o Circuito Superior, com as suas vistas panorâmicas do alto das quedas, e o Circuito Inferior, onde nos aproximámos da força da água a partir da base das cataratas. Dois trilhos complementares, que revelam diferentes ângulos da mesma maravilha natural.
Começámos pelo Circuito Superior, um percurso com cerca de 650 metros, que se percorre em 40 minutos a 1 hora, sem pressas. Trata-se de um caminho de passarelas elevadas que serpenteia por entre as copas das árvores e se estende sobre o topo das quedas.
Lá de cima, a vista é simplesmente deslumbrante: o rio avança tranquilo, sereno, até ao momento em que tudo muda e a água se precipita no vazio com um estrondo ensurdecedor.

Era impossível não parar em cada miradouro para contemplar a paisagem e deixar-se impressionar pela grandiosidade da natureza em movimento.


De seguida, aventurámo-nos pelo Circuito Inferior, um percurso mais longo, com cerca de 1.400 metros, que se percorre em 1h30 a 2 horas. Aqui, as passarelas descem em direção à base das quedas, mergulhando-nos numa experiência mais intensa e sensorial. O som das cascatas vai aumentando a cada passo, a humidade do ar envolve-nos, e a vegetação parece fechar-se à nossa volta, como se protegendo o coração pulsante do parque.
Ao longo do trilho, encontrámos miradouros impressionantes para o Salto Bossetti, o Salto Eva e o Salto Adán,


quedas poderosas que rugem diante de nós, lançando neblina e frescura sobre os visitantes.

Miradouro junto ao Salto Bossetti
A seguir partimos para uma aventura radical: Iguazú Jungle – Grande Aventura uma experiência imperdível nas Cataratas de Iguaçu do lado argentino.
O percurso começa com um passeio de jipe pela selva do Parque Nacional Iguazú, onde se avista a fauna e flora exuberantes da região.
Depois de atravessar a selva em camiões 4×4, o momento mais aguardado da Iguazú Jungle – Grande Aventura finalmente chegou: o embarque para o passeio de barco rumo às quedas.
Com os coletes postos e os pertences guardados em sacos impermeáveis, descemos por uma escadaria até ao cais.
O barqueiro sorriu com ar cúmplice, como quem sabe que estamos prestes a viver algo inesquecível.
O motor arrancou e, em poucos minutos, estávamos a cortar as águas do rio Iguaçu, rodeados por imensos paredões de selva verde e o eco ensurdecedor das cataratas ao longe.
A aproximação foi cinematográfica – o barco arrancou, cortando as águas do rio Iguaçu com força. A selva fechava-se à nossa volta, e ao longe já se ouvia o estrondo das quedas. A cada curva, a ansiedade crescia. E de repente, ali estavam elas, imponentes, selvagens, majestosas.
A névoa tornava-se mais densa, o barulho das quedas mais forte, o coração mais acelerado.
E então… o barco mergulhou diretamente sob os saltos. A água caiu sobre nós com uma força avassaladora. Ficámos encharcados da cabeça aos pés, mas era impossível não rir, gritar, vibrar com aquele momento. A sensação era de entrega total, como se a natureza nos tivesse engolido por instantes para nos mostrar a sua força e beleza crua.
Entre manobras ousadas e mergulhos controlados sob as cascatas, o barco repetiu a investida várias vezes, cada uma mais intensa que a anterior. Ali, entre céu, água e selva, senti-me pequeno… mas incrivelmente vivo.
Foi mais do que um passeio. Foi um mergulho direto no pulmão da natureza e uma memória que levarei comigo para sempre.
À saída do cais, presenciámos algo insólito: um crocodilo estava pousado junto à margem, com algo vermelho preso na boca.
Ao princípio ninguém percebia o que era, mais tarde a nossa guia esclareceu, com um misto de espanto e aviso: era o telemóvel de um turista que, num momento de imprudência, se aproximou demasiado para tirar uma fotografia. Por pouco não perdeu um braço… ou a vida. Uma “brincadeira” que podia ter acabado muito mal e que ficou como lição para todos nós: na selva, o respeito vem sempre primeiro.
Terminámos esta Grande Aventura com o coração acelerado e um sorriso molhado no rosto. É natureza em estado puro, a lembrar-nos quão pequenos somos diante de tanta grandeza… e quão sortudos por poder vivê-la tão de perto.
10 de março de 2025 – Segunda-feira
Hoje é o dia de regresso a Portugal via Buenos Aires.

Na companhia do guia turístico Daniel, que nos acompanhou com simpatia e conhecimento ao longo de toda a viagem.
Depois do pequeno almoço, aguardámos no hall de entrada do hotel o transfer para o aeroporto regional de voos domésticos.
Já no autocarro a caminho do Aeroporto Internacional Cataratas del Iguazú (IGR)


O voo foi de duas horas de duração. Chegamos ao Aeroparque Jorge Newbery em Buenos Aires, por volta das 15H00. Como o nosso voo para a Europa estava previsto para as 22H35, ainda deu para irmos conhecer a célebre Livraria El Ateneo Grand Splendid, frequentemente considerada uma das livrarias mais bonitas do mundo.
O reconhecimento mais famoso veio do jornal britânico The Guardian, que em 2008 a classificou como a segunda livraria mais bonita do mundo. Desde então, muitos rankings e publicações internacionais (como a National Geographic e a Time) já a colocaram em primeiro lugar, pela sua beleza arquitetónica e ambiente único.
A Livraria El Ateneo Grand Splendid tem três pisos principais:
Piso térreo – onde se encontram a maioria dos livros e a área central da antiga plateia do teatro. Balcão (mezanino) – antigo camarote do teatro, hoje com áreas de leitura e mais estantes. Cave (subsolo) – onde está a secção infantil e outros géneros literários.Além disso, o palco original do teatro foi transformado num café, mantendo as cortinas vermelhas e a atmosfera clássica.
O conjunto mantém a estrutura original do antigo teatro Grand Splendid, o que contribui para o seu charme único.
Depois desta bela visita à Livraria El Ateneo, ainda houve tempo para comer qualquer coisa e absorver um pouco do ritmo quotidiano do povo argentino – os cheiros, os sabores, as conversas soltas de fim de tarde.
Com a bagagem cheia de memórias, seguimos então para o aeroporto, onde nos esperava o voo de regresso a Madrid e, finalmente, a Lisboa. Uma despedida com sabor agridoce… mas com o coração cheio.
Em jeito de conclusão, esta viagem pela América do Sul, a bordo de um cruzeiro inesquecível e com a extensão mágica a Iguaçu, ficará gravada para sempre no meu coração.
Foram dias intensos, cheios de descoberta, paisagens de cortar a respiração, encontros improváveis e emoções à flor da pele. Das águas geladas do Cabo Horn ao calor vibrante de Buenos Aires, do silêncio imponente das cataratas à beleza serena do Delta do Tigre, cada instante foi vivido com alma.
Regressámos com os olhos cheios e o coração rendido,
Esta viagem foi um poema vivido.
Entre paisagens, pessoas e mares sem medida…
Foi, sem dúvida, a viagem da minha vida!
Ao longo destas reportagens tentei partilhar, com palavras e imagens, aquilo que nem sempre se consegue explicar, porque há viagens que não se contam, sentem-se!
Obrigado a todos os que a acompanharam comigo deste lado. Até à próxima aventura.
Samuel Carvalho
Musica: Habibi I love you (instrumental) de Ultra Beats
NOTA: Para ver ou rever as anteriores reportagens, basta clicar nos links seguintes (escritos a azul):
5ª – BigSlam no Sul da América (5) – Ushuaia e Cabo Horn: Rumo ao Fim do Mundo
6ª – BigSlam no Sul da América (6) – Do silêncio das Ilhas Malvinas à vida de Puerto Madryn (Argentina)
7ª – BigSlam no Sul da América (7) – Montevideo encanta com a sua calma e Buenos Aires vibra com paixão
8ª – BigSlam no Sul da América (8) – Buenos Aires é tango, paixão e alma latina
9ª – BigSlam no Sul da América (9) – Descubra o Delta do Tigre e as Cataratas de Iguaçu (lado brasileiro)
10ª – BigSlam no Sul da América (10) – Cataratas de Iguaçu (lado Argentina) e El Ateneo Grand Splendid



4 Comentários
bulcaopereira@gmail.com
Maravilhoso.
Estiveram perto de minha casa. Só 800 Km.
Estava impedido. De contrário teria me encontrado com os ilustres turistas em Foz do Iguaçu.
Grande abraço
2luisbatalau@gmail.com
BELÍSSIMA REPORTAGEM. ADOREI. KANIMAMBO E HAMBANINE
Samuel Carvalho
Última Reportagem da Viagem da Minha Vida
A pedido de vários internautas do BigSlam, partilho agora a última reportagem desta inesquecível viagem pelo sul da América. Uma jornada que começou com sonhos e terminou com o coração cheio.
Do Chile à Argentina, do Pacífico ao Atlântico, do gelo imponente dos glaciares às águas rugidoras de Iguaçu, esta viagem foi mais do que um percurso, foi uma descoberta interior, um desfile de paisagens que me fizeram sentir pequeno perante a grandeza do mundo… e profundamente grato por poder vivê-lo assim.
Conheci lugares que só imaginava, vivi momentos que jamais esquecerei e, mais importante, partilhei esta aventura com pessoas que a tornaram ainda mais especial.
Cada destino deixou uma marca, cada rosto um sorriso, cada passo uma história. E agora, ao escrever estas últimas linhas, deixo aqui não só o registo do que vi, mas daquilo que senti.
Obrigado a quem me acompanhou nesta viagem, nas rotas e nas palavras. Que estas reportagens tenham conseguido transportar um pouco da magia que vivi.
Porque há viagens… que nos mudam para sempre.
E esta foi, sem dúvida, a viagem da minha vida!
BigSlam
Ultima reportagem do BigSlam pelo Sul da América!