6 Comentários

  1. 5

    Zé Carlos

    Olá Samuel.
    A cena que mencionas do Jeep traz-me memórias à tons.
    É verdade que nós brincava-mos no tal Willy’s Jeep que pertencia ao tio avô dos meus vizinhos do outro lado da rua, o Fernando e irmão mais novo Luis. Esse senhor que agora não me lembra o nome, era caçador profissional.
    O Jeep era da 2da. Guerra Mundial, tinha um atrelado original que quando não estava em uso ficava no quintal da casa e lembro-me muito bem quando o Sr. caçador vinha de uma caçada, chegava com o atrelado cheio de caça, antelope, galinha do mato, javali e as vezes zebra. Ele e o meus avós eram amigos e trazia-nos sempre duas ou três galinhas do mato e uma gazella ou as vezes filette de Kudo.
    A minha avó (Dna. Maria) fazia um caril de galinha de se chupar os dedos e chorar por mais.
    O meu avô (Sr. Manuel Ferreira) sabia preparar carne do mato que era as vezes lentamente assada no forno ou de churrasco, até a carne ficar a cair do osso.
    A casa ao lado dos Cunha, era da Dna. e Sr. Lopes (pais da Graciete), eletrecista chefe dos SMAE.
    Aquela rua e quarteirão era lar de muita boa gente, adultos e miúdos.
    Lembro-me bem do Sr. Vieira farmacista e Dna. Lina. A minha mãe me enviava para as suas explicações para me tirar da rua. Lembro das filhas Fernanda e Carla mais ou menos da minha idade e de vez em quando a filha mais velha Anabela tomava conta de nós.
    Ao fundo da rua sem saída morava o Sr. Eng. Sampaio, pai da Alexandra.
    Lembro-me do Sr. Almeida, encarregado das oficinas dos CFM e grande amigo do meu avô, quando construiu o prédio no largo da rua sem saída, ainda o “ajudei” a montar os parapeitos e portões de ferro no muro do prédio. Nesse prédio quando ficou pronto, foi morar a familía madeirense do meu amigo Albino o “Bino” e irmã mais velha que agora não tenho certeza do nome mas acho que era Lena. Gente muito porreira, o pai era agente técnico ou engenheiro civíl e a mãe enfermeira e fazia uns petiscos deliciosos.
    Do outro lado morava o “Pitocas” e o irmão.
    Esta rapaziada toda e mais alguns que agora esqueço, fazia-mos parte do “gangue” do Zé Mário Miranda…
    Esse famoso gangue era conhecido em alguns lados por “terroristas”, resultado dos assaltos as árvores de fruta dos muitos quintais pela vizinhança fora.
    Um episódio que me recordo, cerca de 70/71, foi quando o Sr. Julião, o já velhote empregado da mercearia Águia ‘Oro que fazia entregas domicíliarias com a bicicleta de cesto em cima da roda da frente, foi apunhalado na cabeça por um Novo empregado do mesmo. Estávamos na rua a brincar em frente a minha casa e notámos uma grande comoção a vir da Augusto Cadtilho um tipo negro a correr pela J. Serrão abaixo com uns tipos atrás aos berros… Párem esse bandido… etc, etc comforme o fugido se ia aproximando, notámos que era o empregado novo da mercearia com sangue na camisa e dar grande pedalada nas milengas… Apercebeu-se que algo estava mal e tentamos intercepetar o fugido, quando ele viu oito ou move miúdos a tapar o caminho, galgou da estrada para o passeio do lado esquerdo e conseguiu continuar a fugir mas encurralamos o caminho e ele foi para os parquings dos prédios novos construidos onde eram as antigas casas de madeira e zinco antes de chegar a Anchieta. Demos umas voltas e encontrámos o tipo escondido de baixo de um carro, rodeamos o carro e conseguimos tirá-lo para fora. Amarrámos-lhe os pulsos com uma corda de saltar e começamos a encaminhar para rua para o levar a esquina da A. Castilho. Nessa altura já estava um grupo de malta mais velha que nós, acho que talvez o Geca, o Samuel e um dos Miranda’s mais velho, a chegar perto e lá fomos todos juntos triumfalmente pela rua acima com o bandido amarrado à frente. Quando chegámos a A. Castilho já lá estava a policía e o Sr. Julião a ser tratado para seguir ao Miguel Bombarda.
    Mais tarde soubemos que o Sr. Julião levou uns pontos mas recuperou e que a barafunda resultou do Sr. Julião ter apanhado o tipo novo a roubar-lhe as poupanças guardadas na depedência onde dormia nas trazeiras do tal prédio da mercearia e o destino do bandido foi a gaiola da Machava.
    A partir desse acontecimento nunca mais “roubámos” a bicicleta ao Sr. Julião…
    Obrigado Samuel, por me teres acordado estas memórias.

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    1. 5.1

      Samuel Carvalho

      Olá Zé Carlos, fico fascinado com a tua excelente memória, recordando nomes, lugares, momentos por nós vividos na nossa rua Dr. José Serrão.
      Verifica os comentário do facebook deste artigo, onde aparece a Anabela Vieira (filha do Sr. Vieira farmacêutico e da D. Lina) a que te referes no teu comentário.
      “Com o BigSlam o mundo torna-se pequeno”!
      Aquele abraço.

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  2. 4

    luis reis - guibebe

    Como gostaria de saber, para poder manifestar o meu sincero apreço ao realizador deste árduo e empolgante trabalho de cabouqueiro realizado para nos trazer, no conforto dos nossos lares, a nós – naturais de LM uns, e laurentinos de coração outros – as saudosas imagens de pessoas, lugares e coisas da nossa terra, ciosamente guardadas nas nossas memórias. Como gostaria de poder deter o dom da escrita que me possibilitasse exprimir com fidelidade toda a emoção que estes vários e bem condimentados relatos e imagens dessa belíssima viagem ao passado da antiga LM me proporcionaram – vivi intensamente, uma vez mais, revendo emocionado e, por que não dizê-lo, com uma lágrima no canto olho, inesquecíveis e indelevelmente marcados em mim, lugares que conheci e palmilhei a maior parte deles durante toda a minha infância e parte da minha juventude. Lembranças de lugares e pessoas que fizeram também parte da minha estória em LM. Muito obrigado, meu Amigo, permita-me assim tratá-lo, por tantos e tão gartificantes momentos que me proporcionou com o seu maravilhoso trabalho. Bem haja!
    Luis Reis-Guibebe
    Em tempo: Não só os clubes da baixa de Maputo, mas assisti também, como não podia deixar de ser, a todos os seus passeios em Maputo e Jo’burg.

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  3. 3

    Eunice Baptista

    Olá Samuel, por acaso a sua avó morou por cima da casa de Belarmino de Abreu? Esta casa foi construída pelo meu avô que sempre moraram no R/C. A minha tia ainda aí mora. Obrigada por partilhar esta foto.

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  4. 2

    Victor Nunes dos Santos

    Muito obrigado por nos facultar fotos de um local que não sai da nossa memória. Lourenço Marques. Eu vivi na Rua Brito Camacho, tendo em frente a Rua Princesa Patrícia e do lado esquerdo o Hotel Avis. Saí de Moçambique em 1977 e voltei lá em 1996, tendo permanecido 1,5 mês em Lourenço Marques. Corri a cidade toda a pé; naquela altura era proibido fotografar ou filmar, pelo que não tive hipótese de trazer fotos para mostrar e recordar. Hoje com esta “pequena/grande” reportagem que o Samuel apresenta, vieram-me as memórias e saudades de sítio onde fui muito FELIZ, Agradecido.

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  5. 1

    Nelson Silva

    Boa Samuel. Boas recordações me trouxeram as fotos e textos. Nas ruas principais – parece-me – os passeios e estradas não parecem mal conservados. Pior, lá para os lados da Anchieta. Fico a aguardar a próxima. Abraço

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