3 Comentários

  1. 2

    ABM

    Olá.
    Umas curtas notas:
    1. O Museu Provincial, que antecedeu o Museu Álvaro de Castro, actualmente designado Museu de História Natural, foi criado em 1913 na Vila Jóia, a moradia mandada fazer pelo ex-cônsul Gerard Pott “encaixada” no Jardim Vasco da Gama (hoje Tunduru) que fora adquirida para o efeito pelo Governo Provincial e que ali permaneceu até 1935. Tenho fotografias dele no meu pequeno blogue que penso alguns conhecem;
    2. No início dos anos 30, construiu-se junto à Ponta Vermelha o que deveria ser uma nova escola primária, mas em vez disso fizeram-se adaptações um pouco a martelo e mudou-se para ali a maior parte do espólio do Museu Provincial, mudando-se o nome para Álvaro de Castro, que foi um Governador Geral republicano, um “camarada” meio revolucionário que esteve em Moçambique durante parte da I Guerra Mundial;
    3. Esse edifício, com esse nome, e espólio, abriu em 1935;
    4. Nunca ouvi essa história dos 300 elefantes. O que ouvi, sim, foi um pouco diferente do que me parece uma versão revisionista pós-colonial do “bate no estúpido do colono a ver se sangra”, muito em voga depois de 1975. O que ouvi foi que, entre a Catembe e a Ponta do Ouro havia no início do Século XX um grave excesso de população de elefantes que estava a causar todo o tipo de desacatos na região, inclusivé, especialmente na própria vegetação e entre a população nativa ali residente, e que foi decidido pelas autoridades, diminuir essa população de elefantes e proteger a área, separando pessoas e animais. A versão que ouvi referia que foram abatidos muito mais que 300 elefantes. Foram os portugueses, e não a Frelimo, quem criou ali o que ainda hoje se chama na rua a….”Reserva de Elefantes do Maputo”, em 1932, com 700 kms quadrados e que hoje ainda existe ali (só para chatear, mudaram-lhe o nome formal para “Reserva Especial de Maputo”). A versão acima peca especialmente ao referir que os terrenos na zona entre a Catembe e a Ponta do Ouro teriam sido, erroneamente, considerados propícios para a agricultura (mas que depois que os portugas – obviamente tótós como sempre- “descobriram” que não era assim). Ora, pequem os portugueses por quase tudo o que se alega terem feito de mal a, e em, Moçambique, e a lista aparentemente não tem nem nunca vai ter fim, alegar-se que cometeriam um erro de palmatória ainda por cima desta natureza, matando os elefantes pelo caminho, é ….pouco credível, Basta dar um passeio entre a Catembe e a Ponta do Ouro e imediatamente se apercebe que aquilo serve para pouco mais que deixar elefantes em paz e….ir à Ponta do Ouro. Ou fazer casinha de fim de semana. Aquilo é quase tudo terreno paupérrimo, senão, literalmente, areia da praia a 40 kms do mar. Havia à volta de LM terrenos mil vezes melhores e quase à borla para quem quisesse fazer agricultura a sério, como na Moamba e no Limpopo;
    5. Existem duas colecções dos fetos de elefante no mundo, as duas vieram da matança na Catembe, a outra ainda não sei onde está.
    Um abraço
    ABM

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    1. 2.1

      BigSlam

      Caro ABM, grato pelo teu testemunho sobre o Museu Álvaro de Castro (atual Museu da História Natural) e tudo aquilo a que lhe diz respeito.
      Sei que és um leitor assíduo do nosso “Ponto de Encontro!”. Aparece sempre!

      Responder
  2. 1

    Zéto

    Visitei muitas vezes, sempre curioso, na última vez eles tinham uns crocodilos pequenos vivos nuns tanques, não sei para que seriam ? Lamento a morte dos 300 elefantes, hoje já não posso falar com orgulho sobre os fetos dos elefantes. Obrigado

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