Homenagem a Mário Albuquerque: O Atleta de Todos os Moçambicanos
Falar de Mário Albuquerque é falar de uma das mais brilhantes figuras da história do basquetebol em Moçambique. Considerado por muitos o melhor basquetebolista moçambicano da era colonial, distinguiu-se não apenas pelo seu extraordinário talento dentro das quatro linhas, mas também pelo seu caráter, espírito desportivo e capacidade de unir pessoas em tempos de profundas mudanças.
No início da década de 1960, quando o minibasquete ainda não existia e as oportunidades para os mais jovens eram escassas, Mário Albuquerque procurou ingressar num dos grandes clubes da cidade de Lourenço Marques. A resposta foi negativa, alegando-se falta de espaço para mais atletas. Esse aparente revés acabaria por mudar o rumo da sua carreira, abrindo-lhe as portas do Sporting Clube de Lourenço Marques, instituição que adotou como o clube do seu coração e onde construiu uma trajetória memorável.
Ao longo dos anos, destacou-se pela sua excecional qualidade técnica, inteligência de jogo e eficácia competitiva, tornando-se uma referência incontornável da modalidade. Contudo, o que verdadeiramente o elevou ao estatuto de lenda foi a forma como encarava o desporto e as relações humanas. Sempre pautado pela humildade, pelo respeito pelos adversários e pela lealdade para com colegas e dirigentes, conquistou a admiração de todos, independentemente das cores clubísticas.
Era um atleta verdadeiramente predestinado para a prática desportiva. Embora tenha alcançado o reconhecimento máximo como basquetebolista, onde muitos o consideram o melhor de Moçambique da era colonial, o seu talento estendia-se muito para além dos campos de basquetebol. Destacava-se igualmente no Andebol, no Futebol de Salão e no Voleibol, demonstrando uma versatilidade rara e uma capacidade atlética excecional. Mas as suas qualidades não se ficavam pelos desportos organizados. Entre amigos e colegas era frequente ouvir-se, em tom de brincadeira mas com um fundo de verdade, que Mário Albuquerque era imbatível até no tradicional jogo do berlinde, fosse nas “covinhas” no “círculo” ou “à parede”. Essa faceta apenas reforça a imagem de alguém dotado de uma coordenação motora, precisão e espírito competitivo invulgares.
Mais do que um campeão de uma modalidade, Mário Albuquerque era um desportista nato, daqueles que pareciam nascer com um talento especial para qualquer desafio que envolvesse destreza, inteligência e paixão pelo jogo.
Por isso, Mário Albuquerque deixou de ser apenas um grande jogador do Sporting de Lourenço Marques para se tornar, simbolicamente, o atleta de todos os moçambicanos. A sua imagem ultrapassou rivalidades e fronteiras, sendo reconhecido como um exemplo de desportivismo, integridade e dedicação.
Num período particularmente delicado da história de Moçambique, marcado pela descolonização e pelas transformações sociais e políticas que se seguiram, a sua postura serena e conciliadora fez dele um ponto de encontro entre diferentes sensibilidades e gerações. O respeito que inspirava permitiu que fosse visto como um verdadeiro elo de ligação entre antigos companheiros, adversários e amantes do basquetebol, preservando um sentimento de união que perdura até aos dias de hoje.
É igualmente impossível recordar a história do basquetebol moçambicano sem mencionar a lendária dupla formada por Mário Albuquerque e Nelson Serra. Juntos protagonizaram alguns dos momentos mais marcantes da modalidade, encantando adeptos e elevando o nível competitivo do basquetebol praticado em Moçambique. Décadas depois do final das suas carreiras, continuam a ser recordados nas reuniões e encontros de antigos moçambicanos como símbolos de uma época dourada que deixou uma marca indelével no desporto de Moçambique e de Portugal.
A homenagem a Mário Albuquerque é, por isso, um ato de justiça para com um homem que honrou o seu clube, valorizou a modalidade e dignificou o desporto através do exemplo. Mais do que um extraordinário basquetebolista, foi um embaixador dos valores da amizade, da ética e do fair play.
O seu legado permanece vivo na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de o ver jogar ou de conhecer a sua história. Para sucessivas gerações, continuará a ser uma inspiração e uma referência maior do basquetebol lusófono.
Mário Albuquerque é, e será para sempre, o nosso MÁRIO – um orgulho do Sporting de Lourenço Marques, um ícone do basquetebol e uma figura inesquecível de Moçambique.



41 Comentários
Luis Oliveira
Um dos melhores jogadores portugueses de todos os tempos. Condolências à família. Descanse em paz.
António José Vilares Lopes
Para mim, foi o maior basquetebolista português de sempre!
Embora mais velho do que eu, foi da minha turma do 5º ano do Liceu Salazar, em Lourenço Marques e nessa altura houve um CURSO de BASQUETE no Liceu, no qual participei e que foi dado por um Americano – Talmadge Hill – do qual ele era adjunto.
Depois, já no nosso exílio europeu. estive com ele algumas vezes na C:G: Depósitos, onde ele trabalhava.
Bons tempos e Paz à sua Grande Alma!
nino ughetto
Bravo, a minha irmà também jogava oo basque bol no Ferroviario;Manuela Freitas (solteira ainda nesse tempo ) Hoje com 88 ano s ela se recorda bem esses bons tempos…E é assim.. a vida o tempo corre e so nos resta as saudades d’um tempo que nào voltara nem haverà nada mais que possamos comparare oo que foi a vida em L.Marques. Bem haja” tudo passa Tudo acaba””
parente.jr@gmail.com
Os meus sentimentos à família.
Filomena Osório
Descanse em Paz, os meus sinceros sentimentos aos seus familiares, até sempre!
Hunberto Gomeses
Chapeau (!), estimado prof. e mestre. Aquele abraço caloroso.
Eduardo Monteiro
Aquando da deslocação da equipa de basquetebol do INEF(1968) a Lourenço Marques, da qual eu fazia parte juntamente com outros colegas, com destaque para o Hermínio Barreto e o Jorge Araújo, na disputa da fase final do Campeonato Nacional Universitário, tive a oportunidade de ver o Mário Albuquerque jogar pela primeira vez.
Uns anos mais tarde, já na nas funções de treinador do Sport Lisboa e Benfica, orientei muitos jogos contra a famosa equipa do Sporting Clube de Portugal, em que, para além do Mário, também incluía o Quim Neves, Nelson Serra, Rui Pinheiro, Tó Mané, Augusto Baganha. Quando esta rapaziada deixou de jogar a nível federado, ainda tivemos a oportunidade de jogar juntos na equipa do CIF, nos torneios de veteranos organizados pela Associação de Basquetebol de Lisboa. Para além disso, depois dos encontros íamos jantar todos juntos. Veteranos que não se esqueceram de confraternizar através da nossa modalidade (basquetebol) e de recordar histórias enquanto jantávamos. Bons velhos tempos. Abraço a todos, com um especial para o Mário Albuquerque.
Paulo Carvalho
Várias vezes ao longo dos anos, tive a oportunidade de me referir ao Mário Albuquerque…Tal como é dito nesta publicação, ele foi o melhor basquetebolista da minha geração, no conjunto dos 3 territórios (Portugal, Moçambique e, Angola),que fizeram parte até 1975,da nação portuguesa.
O Mário, tinha uma habilidade rara, para a prática desportiva, qualquer que fosse a modalidade em que participasse. Só numa delas, consegui ganhar-lhe e não foi sempre, embora já tivéssemos mais de 40 anos de idade, o que aconteceu no Ténis!
Aliado à sua categoria como desportista, o Mário Albuquerque foi e é, uma pessoa correta, sem vaidade e evidenciando sempre, uma longa amizade!
Alvaro Martins
Sempre na minha memória como um enorme ser humano.
Jogador fabuloso e de grande desportivismo.
Deixa saudades a quem de perto o conheceu.
Dulce Gouveia
Incontornável figura do desporto moçambicano,, excepcional basquetebolista, era notável dentro do campo.
Vi-o jogar muitas vezes.
Forte abraço, Mário!
João Manuel Pinto Bacelar
Foi um grande privilégio poder assistir a jogos de basquetebol no Pavilhão do antigo Sporting de Lourenço Marques, jogos com elevadíssima qualidade, onde se destacava o Mário de Albuquerque. Por certo, na minha ignorância, eu nem tinha noção que estaria perante a melhor equipa de basquetebol do território português, incluindo colónias, onde, além do citado Sporting de L.M., havia outras equipas moçambicanas de grande qualidade, também com jogadores de grande nível. Só uns anos mais tarde, vendo outras equipas doutros quadrantes, é que tive noção disso. Tudo de bom para o Mário de Albuquerque.
Delfim José
Se á alguém que maravilhou os espectadores a ver basquetebol 🏀 foi sem dúvida o MÁRIO ALBUQUERQUE.muitos aprenderam a jogar com a técnica apurada deste craque que fazia maravilhas no campo.merecida homenagem a um atleta de eleição e também pessoa.ainda tive o privilégio de partilhar com ele no CLUBE TAP onde fomos CAMPEÕES DO MUNDO DE COMPANHIAS DE AVIAÇÃO na então JUGOSLÁVIA.foi um privilégio.grande abraço MÁRIO.
Manuel Francisco da Silva Fidalgo
Vi-o muitas vezes jogar em Moçambique, pelo Sporting Clube de Lourenço Marques(década de 60) e posteriormente no Sporting Clube de Portugal(pós 25 de Abril)! Que delícia de jogador! Então aquela dupla com o Nelson Serra,era deslumbrante! Recordo ainda os campeonatos Nacionais conquistados,já em Portugal! Acrescento e recordo também o Rui Pinheiro e o João Almeida(grande base!) que formaram equipa com o MA no SCP!
Antonio Soeiro
Um excelente desportista dos “bons velhos tempos”! Muita saúde e muitas felicidades para o Mário Albuquerque!
Victor Cerqueira
Um grande atleta e, muito importante, um grande homem.
Obrigado Mário
Um grande abraço
Vasco Freitas
Também quero deixar aqui a minha homenagem e respeito por este grande atleta e pessoa. Desde os primeiros anos da década de 1960 que raramente perdia uma ida ao Pavilhão do Sporting assistir aos jogos de basquetball onde o Mário era a estrela das estrelas dessa equipa e onde a sua dupla com o Nelson Serra era bem conhecida e apreciada. O Mário morava perto da minha casa e eu via-o quase todos os dias de manhã, com livros na mão, a subir a Rua dos Aviadores em direcção à Escola Comercial. Bons tempos que gravaram para sempre o seu nome na história do basquet Moçambicano. Bem haja.
Manuel Martins Terra
Praticamente todos os comentários aqui expressos referem na perfeição a figura do grande basquetebolista que foi efetivamente Mário de Albuquerque, quiçá o melhor de todos os tempos e nomeadamente até à Independência de Moçambique. Mário de Albuquerque, era completo em tudo, denotando grande capacidade de luta, e com grande leitura de jogo, para além da sua versatilidade e eficácia dos lançamentos. A sua entrega criava uma atmosfera fervilhante nas grandes noites do basquetebol em Moçambique.. Mário Albuquerque, jamais será esquecido, como um grande mestre da bola ao cesto, e bem se poderá dizer que a bola parecia uma extensão das suas mãos, mágica a entrar nos aros para gáudio da plateia. Bem merece uma bonita e memorável homenagem.
José Gonçalves
O melhor basquetebolista português de sempre. Extraordinário desportista, reconhecido e respeitado por companheiros e adversários circunstanciais. É um orgulho ter partilhado pavilhões com ele, embora mormalmente derrotado. Um abraço para o Mário.
José Alexandre Russell
Um grande jogador, quiçá o melhor português de todos os tempos, e um grande ser humano. Valeu e é merecida esta homenagem. Um grande abraço ao Mário Albuquerque.
George Kyriakakis
Mario Albuquerque — grande homen do basket Mocambicanis — grande mestre dentro e fora do campo —- desde os nossos tempos de mufana que te vejo jogar —— manningues emocoes e alegrias deste aos mulungos qué estavam nas bancadas —– mereces este elogio que te fazem e muito mas muito mais — um grande abraco e manningues felicidades aqui do teu amigo Georgios ( Jorge ) Kyriakakis
Gomes
Vários jogos vi de Mário Albuquerque, nos pavilhão do Sporting, Desportivo e Malhangalene, claro que estes jogos eram espetaculares, havia uma grande rivalidades entre estes clubes, não esquecendo o Ferroviário, que saúdades. Parabens Mário deste-me muitas alegrias
António Morais Morais
Um grande desportista, um grande amigo.
António Silva
Está é uma homenagem ao Mário,
Um grande de atleta que marcou
o Basquete de Lço Marques de
Moçambique .
Um grande abraço
Jorge Santos
Nos primeiros anos do século XXI ainda jogamos basquetebol no pavilhão Vává Duarte na Praia, Cabo-Verde 🤩
António Matow
Falando de Moçambique, para além das referências já citadas, com o Mário Albuquerque no topo naturalmente, gostaria também de deixar aqui um nome: NUNO NARCY. Grande atleta, inteligente e leal a jogar. Mais novo que o Mário mas chegou a jogar no tempo dele ainda como Júnior repescado pelos Seniores do Desportivo de LM.
Carla Pina
Parabéns Mário e que venham muitos mais e com muita saúde principalmente .
Beijinhos
Família Pina
Alfredo
Tb gostava de deixar aqui a minha palavra de apreço p Mário Albuquerque, lembro me dele do tempo de Moçambique embora nunca o tenha visto jogar eu era da Beira.
No entanto só o conheci agora a pouco tempo no grupo dos Coca-Colas q se juntam ao almoço nas marias em Sassoeiros. Uma excelente pessoa para a conversar e falar do outro tempo. Todo o grupo é excecional.
Só lhe desejo o melhor.
Abraço amigo.
Carmen Ramos
Bem merecida homenagem a esse grande basquetebolista e desportista!!!
José Carlos Sepodes
Foi um prazer único ter jogado em Moçambique com o Mário Albuquerque.
Foi sem dúvida o homem que mais marcou o basquete em Moçambique.
Victor Agostinho
Mário Albuquerque, o maior basquetebolista Moçambicano e Português. Grandissimo Desportista, tive a honra de o defrontar e também jogar com Ele nas Selecções Moçambicanas, um grande Homem. Um grande abraço Mário.
Orlando Valente
Mario Albuquerque lancava a bola… a distancing era grande… a bola IA PELO ar em direccao ao cesto… a multidao parava a respiracao… o lancamento vinha de maos de alguem com super poderei… sim super popodes….a bola entrada no ARCO SEM bater no aro, APENAS as redes se moviam em silencio…E A seguida o estadio gritava…sim, o Mario era um fenomeno…tratava a BOLA POR TU…
Henrique Rato
Boas memórias que tenho de jogos no pavilhão do SCLM e no pavilhão GDM na antiga cidade de Lourenço Marques.
Mário Albuquerque é uma referência do basquetebol nacional.
Obrigado!
HR
Eduardo Horta
Fui e senti-me sempre um preveligiado pela sua amizade, e se ela começou bem cedo! Grande admirador do atleta que foi, como todos os que o conheceram nos campos desportivos. Com os que com ele sempre conviveram, o ser humano que é, e que nunca deixou passar despercebida esta sua grande faceta. É com enorme satisfação que me associo a esta mais que merecida homenagem. Bem-haja ao BigSlam.
Mário Silva
O reconhecimento e a justa homenagem a Mário Albuquerque, amplamente considerado o maior e mais genial basquetebolista da história de Moçambique, é um ato de memória desportiva essencial.
O seu percurso marcou profundamente as décadas de 1960/70.
Aquele abração Mário
Zé Carlos
Enorme Mario…a “souplesse” nos movimentos! De encher o olho! E a liderança no jogo. Forte abraco
Carlos Galvao da Silva
Realmente um dos melhores de tantos bons talentos que tivemos em Mocambique. Tanto o Mario como outros puseram o nome de Mocambique no mapa.
2luisbatalau@gmail.com
GRANDE ATLETA E GRANDE HOMEM COM QUEM PRIVEI DE PERTO. ESTIVEMOS MUITAS VEZEZ JUNTOS NO CAFÉ CONTINENTAL E COM O NELSON SERRA. KANIMAMBO. ABRAÇÃO
Arnaldo Vieira
Repito o que já disse há umas mensagens atrás: O maior americano Moçambicano e Português de todos os tempos. Do homem, nada posso dizer, porque, infelizmente, nunca falei com ele. “Apenas” me deliciei a vê-lo jogar não sei quantos jogos nos pavilhões do Malhanga ou do Sporting. Do atleta e basquetebolista, não há nada a acrescentar ao que já disseram aqueles que tiveram a sorte e o prazer de se encontrarem com ele dentro do campo.
A minha chapelada e os meus votos de que esteja tudo bem com ele!
Arnaldo Vieira
Samuel Carvalho
Ambos envergávamos o mesmo número na camisola – o 12. Tive o privilégio de o defrontar como adversário e, mais tarde, de jogar ao seu lado nas seleções e na equipa da TAP.
Acabei por conhecê-lo melhor durante as digressões da companhia aérea, pois partilhámos muitas vezes o mesmo quarto. Para além das suas extraordinárias qualidades como jogador, o Mário era um verdadeiro gentleman, dotado de uma cultura geral muito acima da média.
É, acima de tudo, um verdadeiro amigo. Tudo o que se possa escrever sobre o Mário será sempre pouco perante a sua grandeza, tanto como desportista como ser humano.
Carlos Guilherme
Um grande desportista, um grande Homem, um Homem grande e um grande Amigo.
BigSlam
Uma homenagem plenamente merecida a Mário Albuquerque, figura maior do basquetebol moçambicano e exemplo de talento, humildade e desportivismo. Mais do que um extraordinário atleta, foi um homem capaz de ultrapassar rivalidades clubísticas e de conquistar a admiração de todos. O seu nome ficará para sempre ligado à época dourada do nosso basquetebol.