“BAÚ DAS MEMÓRIAS” – Restaurante e Boîte Sheik: um espaço emblemático da vida social de Lourenço Marques
Nos anos 70, o Restaurante Sheik era um dos espaços mais conhecidos e prestigiados de Lourenço Marques. Situado na Avenida Massano de Amorim, junto ao Parque José Cabral, ocupava o rés-do-chão do edifício que acabaria por ficar popularmente conhecido como Prédio Sheik.
Com um ambiente elegante e cosmopolita, o Sheik era escolhido para jantares requintados, encontros de amigos, celebrações e importantes acontecimentos sociais e desportivos. A sua cave, igualmente famosa, acolheu festas, espetáculos e homenagens a algumas das figuras mais destacadas do desporto moçambicano.
Por ali passaram várias gerações de lourenço-marquinos, atraídas pela boa cozinha, pelo convívio e pela animação característica de uma cidade que vivia intensamente as suas noites. Mais do que um restaurante, o Sheik tornou-se um verdadeiro ponto de encontro e um dos símbolos da vida social de Lourenço Marques.
A boîte, instalada na cave do Restaurante Sheik, funcionava às quintas, sextas-feiras e sábados, sempre com música ao vivo. Já muito popular nos anos 60, manteve o seu sucesso durante a década seguinte e mesmo após a independência.
No início dos anos 70, os DJ ainda não faziam parte habitual deste tipo de ambiente, como demonstra o anúncio que acompanha estas notas, no qual o conhecido conjunto de Carlos Eduardo surge como a atração de estreia na inauguração deste espaço de diversão, situado na antiga Avenida Massano de Amorim.
No dia 27 de julho de 1988, no mesmo local, já situado na Avenida Mao Tsé-Tung, designação que substituíra o nome do antigo governador-geral de Moçambique, era inaugurada a discoteca.
Segundo consta, terá sido a primeira discoteca a funcionar após a independência nacional. Na época, tocar no Sheik era sinal de prestígio, e os seus DJs estavam entre os mais conceituados da cidade. Creio também que foi uma das primeiras discotecas a dar verdadeiro destaque à música africana.
Décadas depois, permanece na memória de muitos como um lugar de bons momentos, amizades, música e saudade – uma recordação inesquecível da velha “cidade do feitiço”.




13 Comentários
Américo Silva Dias Américo Silva Dias
Muito do que foi aqui dito corresponde à verdade, o meu pai acabou como socio do Sr. Acácio e ficou a tomar conta do Sheik da Av. De Roma até 1979. Quando se deu o 25 de Abril elementos da Frelimo tomaram conta do Sheik de Lourenço Marques e da Beira e em Lisboa era para ser inaugurado nesse dia. O Sr. Acácio veio para Lisbos e depois partiu para não dizer que fugiu, para o Rio de Janeiro onde abriu com os sobrinhos a casa do bacalhau num bairro periférico. Ele faleceu e os sobrinhos continuaram com o negócio. Nós perdemos quase tudo, os meus pais e eu ainda pegamos no Sheik de Lisboa em 1975 a 1979, mas com as greves, e as comissões dos trabalhadores quem é que tinha mão nos empregados, roubaram como queriam. Tinhamos matinés com espetaculo na cave e com banda de musica ao jantar para dançar, às sextas, sábados e domingos à tarde. Muitos artistas nacionais passaram pelo Sheik. A banda veio de Lourenço Marques, era o Pires, o zezinho, Gonzaga e o baterista que não me lembro o none. Saudades desse tempo que não volta mais.
nin ughetto
Infeizmente o tempo nào volta atraz…”Tudo passa Tudo acaba..”. Os antigos residentes penso que jà là nào estao ,L.Marques So existe para nos os Moçambicanos e o tempo vai passando … quando nào existir mos mais…Nada mais existerà… Bem Haja
Alfredo Magalhães Júnior Magalhães Júnior
O REGRESSO ao Sheik acho vai acontecer, onde com miinha banda com meu nome as iniciais MJ4 Eu MJ com mais 4 elementos, 2 dos quais já partiram: Arsénio viola baixo e Torreana Bsterista com Virgílio e João Maria demos aqui GRANDES SHOW TIME A Meia noite com Vincente Palo já partiu o Xadrek já partiu Getúlio não sei…aqui também actuei com Fany Fumo! Eu sou o Show-men MaggJunior fui aqui mui feliz ganhava 500 por dia com direito à minha refeição e uma bebida! O gerente: Jeremias! By beijo me convidai magg_junior@hotmail.com
Brito Gouveia
abritogouveia@gmail.com
Gomes
Bons e velhos tempos, bem comidos, bem vividos e bem dançados. Saúdades, tantas, tantas
Antonio Soeiro
Belas recordações que nos transportam para excelentes momentos vividos na nossa bela e inesquecível Lourenço Marques. Que saudades, meu Deus, que saudades!!!
Eduardo Horta
Não irei acrescentar muito ao que aqui já foi referido. Além do bom convívio e da excelente gastronomia que tornou famoso este restaurante, eu pessoalmente, direi que recordo uma parte de um dos meus desportos favoritos, a Caça Submarina.
E o que tem a ver com este oportuno artigo, pensarão alguns leitores. Algum do peixe que muitos por aqui comeram, vinha desta minha actividade desportiva, bem como dos meus colegas de mergulho. E ainda recordo de levarmos as caixas com peixe para as imediações da cozinha, com entrada pela rua que dava para o parque José Cabral. Belas recordações e muita saudade.
Orlando Valente
Belos SONHOS, BELAS recordacoes, Saudades e Saudades… NADA MAIS…
Manuel Martins Terra
Eu e um grupo de amigos por lá passamos, e gastar os últimos escudos antes do regresso a Portugal. O Restaurante o Sheik era uma referência da alta gastronomia de serviço irrepreensível e de uma atmosfera de puro charme cosmopolita . O seu ambiente era acolhedor, romântico e requintado. O Sheik, para além de se comer bem, proporcionava noites memoráveis de alegres convívios e dança. Para a história, o Restaurante Sheik tornou-se um ícone do estilo de vida de Lourenço Marques, e para muitas figuras públicas, artistas e viajantes de todo mundo, que não perdiam a oportunidade de o visitar.
2luisbatalau@gmail.com
MUITO BOM RESTAURANTE NA POLANA QUE FREQUENTEI ALGUMAS VEZES. A DISCOTECA AINDA NÃO FUNCIONAVA. NESSA ALTURA A SEDE DA AAM ERA PERTO E JUNTO AO PARQUE JOSÉ CABRAL. É BOM LEMBRARA. KANIMAMBO
jose pedro cardoso
Mesmo ao pé da minha casa. Grande Amigo Zé Acácio. Bons momentos e boa comidinha tinhamos lá. Ainda estive em casa dele no Brasil. Também como nós, teve que recomeçar do ZERO. Paz á sua alma. Até um dia Zé.
Pedro Osório
O chege Acacio para corresponder aos pedidos dos seus clientes que vinham passar ferias a metropole e frequentar aquele ambiente e comida, abriu em Março de 1974 o Sheik na av de roma, mas logo a seguir veio o 25 abril….portanto fechou passado pouco tempo e foi para o Brasil perto da lagoa de araruama onde abriu um restaurante famoso de bacalhau e onde fui visitar e provar em 1982..
BigSlam
Um excelente regresso ao passado! O Restaurante e Boîte Sheik foi muito mais do que um espaço de restauração e diversão: tornou-se um verdadeiro ponto de encontro, onde se celebraram amizades, acontecimentos desportivos e noites inesquecíveis. Mais uma bela memória de uma Lourenço Marques cosmopolita, alegre e cheia de vida, que continua bem presente na lembrança de quem teve o privilégio de a conhecer.