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    Miguel Barros Lima

    Oi Samuel,

    Eu estava em Tarrytown, que fica a uns 40/45 km de Nova Yorque, no escritório a trabalhar quando a Michelle me telefonou a avisar que um avião, pequeno, tinha chocado contra uma das torres.
    Como eu sou piloto privado e a descida do rio Hudson a partir do aeroporto de White Plains ou de Danbury onde eu voava normalmente, era digamos, o passeio da praxe para qualquer amigo que nos visitasse, com a descida pelo rio, South bound New Jersey side, com passagem pela estação de radar, a ponte George Washington, mais abaixo a estátua da liberdade e depois com um 180 graus já perto da ponte Verasano, com um retorno rio acima, north bound New Yorque side, e aí os primeiros prédios eram exatamente as 2 torres no principio da Wall Street … tão altas que eu a 900/1000 pés de altura, estava ainda mais baixo que as torres … e passava de facto, a 150 metros delas … um dia, numa malandrice … acredita, a uns 50 metros delas. Depois o voo continuava, rio acima, passando o porta aviões Enterprise, a entrada do tunel Holland, Manhattan e o Parque Central ali mesmo à tua direita, todos os telhados dos arranha céus de Nova Yorque, etc, até chegar de novo a Tarrytown e à ponte do Tappen Zee e depois regresso ao aeroporto de origem.
    Com esta experiência, ainda pensei que teria sido de facto um avião privado, que com mau tempo ou vento, tivésse sido mais … inconsciente do que eu, e que tivésse chocado contra as torres.
    Como o meu escritório tinha uma grande cafeteria com televisões, fui logo para lá para ver o que se passava. Já lá estavam umas 30 pessoas … tudo em estado de choque, mas sem saberem muito bem o que se passava. Eu incluído. Mas naquele momento, era mais a cabeça do piloto que refletia e eu tentava imaginar o que teria acontecido e porque razão um piloto, normal, sem ter um qualquer problema de saúde, num dia de sol e boa visibilidade, teria chocado e como contra as torres? Por outro lado, a destruição da torre, parecia-me muito maior do que aquilo que um pequeno avião poderia fazer.
    Ia ouvindo as notícias, confusas como te deves lembrar, especulativas,depois lá começaram a falar de um avião de linha, e nisto, garanto-te, eu vejo um outro avião, pequeno é claro, à distância que a camara que filmava nesse momento nos mostrava, passar entre o que parecia ser … entre as torres … e claro chocar contra a 2da torre.
    Na cafeteria já éramos agora umas 100 pessoas, eu tinha ao meu lado uns 12 ou 13 dos meus colegas, e nenhum deles viu o 2do avião. Quando eu disse quase a gritar que tinha sido um 2do avião a chocar, ninguém acreditou, todos eles cada vez mais em choque …
    O resto já todos nós sabemos. Uma grande tristeza e uma perca enorme a todos os níveis.

    O espaço aereo foi claro fechado e durante vários meses foi impossível voltar a descer o rio Hudson. Depois, com o pragmatismo muito próprio dos Americanos, o espaço lá foi aberto de novo, a princípio com limitações, 1 avião south bound e um avião north bound, depois 3, etc, até ao regresso à … normalidade! Mas Manhattan já não era a mesma, a descida estava diferente, faltava algo no horizonte e apenas o Empire State Building parecia ainda sobresair no espaço aereo da cidade.

    Um abraço a todos vós e se … um dia … não fiquem a ver … não obedeçam a ordem nenhuma para ficarem à espera de ordens …. descam, saíam, fugam, protegam-se e sigam o vosso primeiro instinto … poderiam ter morrido muito menos gente se isto tivésse sido feito.

    Miguel Barros Lima

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